14.6.06

De volta às quotas

De tecto de vidro é coisa de que não se fala abundantemente a propósito de quotas, mas é do que devia falar-se. É por haver o tecto de vidro no acesso aos lugares que não são objecto de um critério objectivo de selecção (como é o caso do acesso, mediante exames, a certas profissões como a medicina e a magistratura, para não falar do acesso à universidade) que a lei da paridade (a que insisto em chamar lei do terço) é uma medida justificada. Mas também não lhe deveríamos chamar apenas lei do terço. Preferível seria dar-lhe o nome verdadeiro e completo: lei do limite discriminatório máximo das mulheres no seio dos partidos que têm assento em órgãos eleitos da democracia representativa, porque é disso que se trata.
Ou será mesmo que as mulheres de mérito (especialmente as dos partidos mais conservadores com assento na Assembleia da República, que as socialistas devem estar já lá todas, visto que rareiam no Governo) não querem saber da política? E se sim, neste país de médicas, magistradas, universitárias, professoras, químicas, porquê? Não terá isso já a ver com o tecto de vidro?
Claro que podemos fazer de conta que não existe esse verdadeiro limite ao mérito e esperar que o bizarro fenómeno da escassez de mulheres em órgãos da democracia passe por si mesmo, mas talvez depois tenhamos de nos perguntar como convivemos com a ideia de um sistema discriminatório sem freio nem obstáculos confortavelmente sentado nas nossas instituições, a começar pelo nosso democrático parlamento. Ou então, convertemo-nos ao mérito rançoso, o que se anicha no conforto do tecto de vidro. Negando-o.

4 comentários:

Carlos Indico disse...

Susana:
- Já laveio os óculos;
- Ou eu estou a triplicar as dioptrias e o estigmatismo, ou outra coisa qualquer óptica;
- Ou luminosidade do meu monitor está disparatada;
- Ou, francamente, aconselha-te com Lutz.Ter que fazer um esforço simultãneo para ler e interpertar, de testa fransida, olhos esbugalhados, decifrar os adjectivos eloquentes mas raros, diria camilianos, bocagianos.....

Susana Bês disse...

Carlos, isso parece-me terrível. O pior é que o Lutz anda azafamado, nem se lhe põe a vista em cima. E as minhas artes templáticas são rudimentares. Qualquer intervenção leva-me horas e horas de burricada auto-suficiente por erros e tentativas. Requer uma tomada de fôlego que hei-de ter um destes dias. Até lá... tenho de me contentar com o actual produto, embora esteja bem ciente de que a "casa" está inóspita para visitas estimadas. (mas, ou é dos meus olhos, ou do meu monitor, eu até gosto do que vejo, especialmente da passagem do branco a cinzento; talvez mais contraste, como disse a Gabriela)

carlos indico disse...

É isso: mais contraste, no minimo.
O Lutz deve andar perdido no meio da papelada,..nem comenta.

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