23.9.08
12.9.08
A grande entrevista e as três pequenas pátrias
Terá a pátria futeboleira reparado que a entrevista de ontem à Maria José Morgado foi realmente uma Grande Entrevista?
Será que a pátria provinciana reparou quem dava a entrevista que a Maria José Morgado dava?
Será que a pátria não-provinciana reparou no que a Maria José Morgado deu à pátria na entrevista?
Eu ensaio respostas. Respectivamente:
Será que a pátria provinciana reparou quem dava a entrevista que a Maria José Morgado dava?
Será que a pátria não-provinciana reparou no que a Maria José Morgado deu à pátria na entrevista?
Eu ensaio respostas. Respectivamente:
Duvido que a pátria futeboleira tenha reparado que a entrevista de ontem à Maria José Morgado foi realmente uma Grande Entrevista.
A entrevista foi futebolística a menos, de várias maneiras. Não se vislumbraram equipas rivais e houve mesmo blasfémias ao desporto-rei (e viva a república!).
A recusa, desde logo lexical, de adoptar uma posição em contendas malformadas deve ser caso para que a entrevista seja colocada definitivamente fora de campo... Cartão vermelho a quem se tresmalha!
A pátria provinciana, por seu lado, não deve ter dado caracol por quem dava a entrevista que a Maria José Morgado deu.
Houve palavras esdrúxulas a menos, frases simples a camuflar ideias complexas (em vez do contrário habitual) e a ausência dos sinais exteriores de respeitabilidade (entenda-se, de poder social, cuja fórmula mais corrente é aquele trejeito de má digestão de quem se toma por respeitável porque pode). Além disso, realmente, ela é quê?... Procuradora-Geral Adjunta? ah pois, "Adjunta..."
A pátria não-provinciana sabe que a Maria José Morgado está cada vez mais parecida com a Paula Rego, que por sua vez tem sucesso lá fora. E a coisa fica mais ou menos por aí.
O que eu espero é que ontem alguém que se sente impotente perante o seu município, a sua máquina administrativa, o seu governo, o seu assaltante, o seu bruto particular, alguém que sente a fragilidade da existência, alguém que sabe junto aos botões o que está certo e o que está errado, mas que sabe também que não tem a mínima chance de se sair bem se se dispuser a enfrentar as formas de prepotência, marginais ou instituídas, que habitualmente nos esmagam, o que eu realmente espero é que alguém assim tenha assistido, como eu, com espanto silencioso e reverente, à grande entrevista da Maria José Morgado.
7.9.08
Terapia da fala #2 ou porque hoje é domingo
Terapia da fala,
Terapio do falo.
Terá pio o falo,
Terá ai pio o falo?!
Terapia da fala!
Ter aí! (oh yes, oh my Go-o-o-o-d...!) pia a fala...
Terapio do falo?!
Terapapilo do falo....!
Teraipilo da fada, teraipila do fado...
Terapia da fala, terapio do falo.
E foram felizes para sempre.
Terapio do falo.
Terá pio o falo,
Terá ai pio o falo?!
Terapia da fala!
Ter aí! (oh yes, oh my Go-o-o-o-d...!) pia a fala...
Terapio do falo?!
Terapapilo do falo....!
Teraipilo da fada, teraipila do fado...
Terapia da fala, terapio do falo.
E foram felizes para sempre.
6.9.08
I'll go to your room ..., but you have to seduce me

Javier Bardem está a tornar-se um caso sério e está tudo à mostra numa entrevista que dá ao NYTimes.
Foi bonito vê-lo no limiar do pudor, ou talvez da auto-defesa, no mínimo esgar que lhe escapa quando se refere à sua relação com o psicopata que interpreta no filme No Country for Oldmen. Eu achei que o compreendia ao milímetro, a esse psicopata, e se isso acontece é porque Javier Bardem o compreendeu ainda melhor. Mas compreendo também que explicar tudo isso com todas as letras seria uma insensatez.
Também achei interessante a maneira como descobriu que queria ser actor (fardado de caqui, em passeio pelo jardim zoológico, com o pai, dá-se conta de que estava a encarnar uma personagem e que isso era tudo o que lhe sabia melhor) ou como passa pelas vantagens de ver o All that Jazz aos seis anos.
Um destes dias há-de chegar cá o último Woody Allen -Vicky Cristina Barcelona, também aqui - e antecipo que o alvoroço vai ser grande. Parece que é a primeira vez que Woody Allen se aventura com uma personagem masculina que não vive angustiada com a sua própria virilidade e não se coíbe de explorar essa linha de sensualidade esplêndida e fluída com a ajuda de muito belos actores (e actrizes), plantados com um grão de loucura em Espanha.
Antes que os rapazes do povoado se passem com as curvas, contra-curvas e viravoltas do filme, e as meninas da aldeia reforcem os sortilégios de poedeiras eternamente ameaçadas, e que se assista mais uma vez à repetição estafada da ideologia do gabiru saltitão como condenação genética de alguns, ou maldição evolutiva de todos-eles; antes que pareça que se quer o que afinal ninguém quer, fica aqui o que o sexy one, himself, tem para dizer: que quando viu o guião só viu a parte dramática - as dificuldades de um homem que é desejado por três mulheres - e não a parte cómica. É por isso que Javier Bardem é grande e um grande actor.
(tudo bem, os homens choram, já se sabia, e até pode ser sempre bom recordar; mas onde fica o quarto, afinal? )
4.9.08
Upgrades
O líder em exercício do PPO (Principal Partido da Oposição) propõe uma "boa estratégia de comunicação".
É um upgrade notável na habilidade política até agora demonstrada pelos não-apoiantes de Ferreira Leite. Repisar a crítica ao Silêncio, ou procurar eclipsá-lo por ilusionismos de pendor sazonal é coisa para políticos bricoleurs.
Aqui assiste-se simplesmente ao exercício público, retoricamente poderoso, do dom da Visão (como em visionário...), que é um dom essencial dos políticos a sério. Que é apresentado em registo de quem não vem senão por bem, na confiável e neutra ambiência da dita universidade de Verão, e acaba apontado, na maior compostura, ao patamar mais desconfortável da actual gestão partidária. Obrigando, consequentemente, a comparar a angústia do nada, ícone de Ferreira Leite, com o morno raio de sol da esperança plantado nos nossos corações por um Passos Coelho cívico e educado.
Fino e demolidor este upgrade realizado no discurso partidário pelo um-dia-no-futuro (julgo que ainda terá de estagiar pelo menos uma legislatura) primeiro-ministro.
Com algum sentido de oportunidade, mas, no essencial, só para disfarçar - ou se não é, poderia sê-lo -, propõe também um Estado, sei lá, estás a ver pá, diferente.
Também é um upgrade relativamente às funções do Estado tais como apresentadas por Ferreira Leite. Excluindo os pontos em que se aproximou do PG (Partido no Governo), o único dossiê relativo a funções do Estado, conceda-se, em que a actual líder formal demonstrou possuir conhecimento de tomo e posição definida foi, se bem me lembro, a morigeração dos costumes.
Digo isto tudo com um certo desgosto porque, quanto ao mais, até gostaria de ter aí uma primeira-qualquer-coisa que aparecesse de vez em quando com um neto ao colo, fralda de bolsar pelo ombro. Mas esse upgrade não parece ser para já.
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