3.11.05
1.11.05
Pão-por-Deus #2
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho
Pão-por-Deus

O Truca Truca
Já que o coito
- diz Morgado-
Tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado
Fazer menina ou menino;
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação
Prova de que houve truca- truca.
Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão
De que viril instrumento
Só usou – parca ração!-
Uma vez.
E se a função
Faz o órgão – diz o ditado –
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.
Memória da Natália Correia
Flor dos terramotos
31.10.05
Desmemoriados
29.10.05
Não vejo assim
Sem pôr em causa a boa-fé de Cavaco, há em tudo isto algo de excessivo e anormal num quadro democrático, mesmo tendo em conta a gravidade da crise portuguesa. Ao rasurar aquilo que é diferente e diverso e apostando numa "união nacional" de gregos e troianos, a candidatura de Cavaco torna excedentário o pluralismo político e ideológico. Finalmente, a hipótese de um triunfo retumbante, logo na primeira volta, acentua o pendor plebiscitário da eleição e obriga o candidato vitorioso - quer ele queira quer não - a assumir o papel de "salvador".A principal acentuação que vejo é, antes pelo contrário, a do branqueamento do último contacto de Cavaco Silva com o eleitorado - perdeu, lembram-se?Logo à primeira volta... não foi?E, assim, o que também creio ver no texto de VJS é um sinal de que foi inteiramente engolida a ideia, favorável a Cavaco Silva, de que o homem vem em graça (por oposição ao burlesco fácil de respigar nas candidaturas da esquerda).Ora, não vem. Isso é um trompe l'oeil mediático mas parece que pegou.Não acho, para além disso, que a efectiva adequação de Cavaco Silva para captar votos no bloco central possa, em boa verdade, ser retorcida ao ponto de transformar-se em algo que "torna excedentário o pluralismo político e ideológico".
Não torna, é bloco mediano, apenas.
Insisto na objecção à presidencialidade de Cavaco Silva: aquilo a que alguns já têm chamado "falta de cultura humanista", mas que não refiro dessa maneira porque assim parece que se trata de um supérfluo adereço, de um elemento histriónico dispensável.Trata-se da falta de bússola, da deficiente perspectivação política, mas de uma política baseada na compreensão da existência individual, da política como instrumento das condições sociais do que um dia por aí chamei o viço do indivíduo.
Está lançado, já se viu, o campeonato das presidenciais. Ora lá vem chegando a camisola, a clube, a competição, o aconchego da manada ... a náusea.
E agora, José?
A sexosfera, darling, não é lisa
28.10.05
O beco-sistema do cavaquismo e a deriva cega
"A sua ideia central, podemos hoje entendê-lo melhor à distância, era conseguir fazer entrar o país na modernidade sem pôr em causa a sua ancestral tacanhez. Assim, a tradicional estrutura de poder económico-social, articulando sabiamente os pequenos e médios poderes locais com as grandes empresas encostadas à sombra do Estado, foi ciosamente reconstituída com alguns arranjos mínimos. Seria de esperar que a abertura à concorrência externa, as reprivatizações, a expansão do investimento estrangeiro e o grande aumento da escolaridade tivessem conduzido a um crescimento espectacular da produtividade. Nada disso aconteceu."
E ainda:
27.10.05
Deus aceitável
Mulherio meu
26.10.05
25.10.05
... and back again!
Não sei se me espante mais pela bonomia ou ingenuidade de tal acto de negação ou pelo understatement sobre a porca da política.
*[Seja C= candidato e P= detentor de cargo político]
Do laborismo à insanidade
24.10.05
Segunda-feira, afivelando a "persona"
Naquele tempo as partes pudendas ainda eram orladas de veludo e toda a pele era de cetim. O velcro e os têxteis viriam muito mais tarde.Não fazia frio, não nevava, não doía a nostalgia.
23.10.05
Navegar ainda
JOY! shipmate—joy!
(Pleas’d to my Soul at death I cry;)
Our life is closed—our life begins;
The long, long anchorage we leave,
The ship is clear at last—she leaps!
She swiftly courses from the shore;
Joy! shipmate—joy!
[Walt Whitman (1819–1892). Leaves of Grass. 1900. 293]
22.10.05
Give me the Splendid, Silent Sun
GIVE me the splendid silent sun, with all his beams full-dazzling;
Give me juicy autumnal fruit, ripe and red from the orchard;
Give me a field where the unmow’d grass grows;
Give me an arbor, give me the trellis’d grape;
Give me fresh corn and wheat—give me serene-moving animals, teaching content;
Give me nights perfectly quiet, as on high plateaus west of the Mississippi, and I looking up at the stars;
Give me odorous at sunrise a garden of beautiful flowers, where I can walk undisturb’d;
Give me for marriage a sweet-breath’d woman, of whom I should never tire;
Give me a perfect child—give me, away, aside from the noise of the world, a rural, domestic life;
Give me to warble spontaneous songs, reliev’d, recluse by myself, for my own ears only;
Give me solitude—give me Nature—give me again, O Nature, your primal sanities!
—These, demanding to have them, (tired with ceaseless excitement, and rack’d by the war-strife;)
These to procure, incessantly asking, rising in cries from my heart,
While yet incessantly asking, still I adhere to my city;
Day upon day, and year upon year, O city, walking your streets,
Where you hold me enchain’d a certain time, refusing to give me up;
Yet giving to make me glutted, enrich’d of soul—you give me forever faces;
(O I see what I sought to escape, confronting, reversing my cries;
I see my own soul trampling down what it ask’d for.)
Keep your splendid, silent sun;
Keep your woods, O Nature, and the quiet places by the woods;
Keep your fields of clover and timothy, and your corn-fields and orchards;
Keep the blossoming buckwheat fields, where the Ninth-month bees hum;
Give me faces and streets! give me these phantoms incessant and endless along the trottoirs!
Give me interminable eyes! give me women! give me comrades and lovers by the thousand!
Let me see new ones every day! let me hold new ones by the hand every day!
Give me such shows! give me the streets of Manhattan!
Give me Broadway, with the soldiers marching—give me the sound of the trumpets and drums!
(The soldiers in companies or regiments—some, starting away, flush’d and reckless;
Some, their time up, returning, with thinn’d ranks—young, yet very old, worn, marching, noticing nothing;)
—Give me the shores and the wharves heavy-fringed with the black ships!
O such for me! O an intense life! O full to repletion, and varied!
The life of the theatre, bar-room, huge hotel, for me!
The saloon of the steamer! the crowded excursion for me! the torch-light procession!
The dense brigade, bound for the war, with high piled military wagons following;
People, endless, streaming, with strong voices, passions, pageants;
Manhattan streets, with their powerful throbs, with the beating drums, as now;
The endless and noisy chorus, the rustle and clank of muskets, (even the sight of the wounded;)
Manhattan crowds, with their turbulent musical chorus—with varied chorus, and light of the sparkling eyes;
Manhattan faces and eyes forever for me.
[Walt Whitman (1819–1892). Leaves of Grass. 1900. 130]

Teodora
