Penso, penso. Penso nos meus e até os penso (de penso e não de pensamento). E não vou por ali. Nem que fosse para presidente da escola primária. Naahh, o meu mundo tem mais curvas do que aquele...sem ofensa, mas é assim.
Olhar nos olhos e mandar pensar nas crianças é patético. Tem de se dizer mais qualquer coisa. Nem que seja: "prometo que lhes ensino a recitar a tabuada, e mesmo que nunca cheguem a perceber a letra, hão-de saber a música. De trás para a frente!"
21.12.05
Eleitora paciente
Crise económica, já temos. Crispação institucional e social, dispensamos. Bem dito, por Mário Soares, a terminar o debate.
Mas a minha curiosidade maior é aguardar pelos intérpretes oficiais de Cavaco. Aguardo por amanhã para saber o que ele quis dizer hoje...
Mas a minha curiosidade maior é aguardar pelos intérpretes oficiais de Cavaco. Aguardo por amanhã para saber o que ele quis dizer hoje...
Manual de instruções # 7
Resistir, resistir; apenas condescender em caso de tentação*.
*Com a licencinha do senhor Wilde
*Com a licencinha do senhor Wilde
20.12.05
19.12.05
Virtudes. Caritas romana, ainda mais
Rubens. Caritas romana. 1635Já li que Cimon acabou por ser poupado, expandindo-se assim o efeito redentor do amor filial. Mas aqui, suculenta, Pero, Rubens usando o mesmo rosa improvável que sabíamos já dos mamilos de Helena, sua mulher. Cimon foi um homem belo e da sua volúpia passada sabemos ainda pela concentração muscular, gesto firme em equilíbrio instável.
Virtudes. Caritas romana
Zoffany, Johan. Caritas romana. 1769Cimon, condenado a morrer à fome, é furtivamente alimentado por Pero, sua filha, num gesto outrora maximamente expressivo da dedicação e comovente materialização do amor, na versão filial. Exemplar filha, à época, cerca do ano 30, fazendo fé nos Facta et dicta memorabilia de Valerius Maximus, repercutindo-se, diz-se, em Pompeia. Durante os séculos XVII e XVIII, este tema foi diversas vezes abordado na pintura europeia, sobretudo a norte. Depois o silêncio ou talvez pudores. Será mais extraordinário considerar este tema um tema de elevada beleza moral ou não o considerar assim? Aqui, não em Marte.
18.12.05
Nota breve da eleitora em delírio
Tirando os olhos do chão, da matrícula do carro da frente ou simplesmente do além, é agora certo e sabido: os cartazes das presidenciais continuam a surpreender-me. Hurray! Cavaco Silva irrompe agora pelas ruas produzido até à caricatura com malícias de galã em fitas "luso-ibero-americanas" dos anos 60. Lábios brilhantes ("sedutores"?), sedosos cabelos adestradinhos, olhar delicodoce e húmido. Tudo isto banhado em textura de espessa camada de make-up sunkissed. É uma sorte não me ter ainda estampado nas proximidades desta visão que, a continuar ou a proliferar, acabaria, receio, por me lançar em crise sobre orientação em matéria de desejo.
Refeita da experiência, prossigo. Eis senão quando surge a fantasmagórica andrógino-wharholiana visão do Mp3 Soares ante-pré-cotas a que só falta pendurar legenda: "istu ker dizer k'o Soares dá pausa". Outra vez os lábios, mas agora lambuzados como quem acabou de atacar a pá dita "salazar" em cenário culinário de preparação de mousse de chocolate. Soares foi aos biscoitos, Soares foi aos bombons, Soares lambeu a taça. Olé.
Piscam-me então revérberos da humanidade crescente de Louçã e Jerónimo. Se ainda não são o suficiente para levarem o meu voto, são já mais que definitivos para uma ponderação mais encorpada e apreciativa, a pender mesmo para a vénia, a eles indivíduos.
E o homem do leme tremeu e disse: ... "a pááátriaaa". Mas sobre esta já outro, mais poeta, me teria em tenra idade instruído: pátria amada, mas de boca, que não tenho coração.
17.12.05
16.12.05
Corpo nervoso
15.12.05
Manual de instruções #6
Todos os momentos são próprios para corrigir erros, particularmente os momentos que antecedem os erros. Mas todos os outros momentos são também bons.
14.12.05
13.12.05
Cheirinho de Camões
Sempre a Razão vencida foi de Amor;
mas, porque assi o pedia o coração,
quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte, e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
que perde suas forças a afeição,
porque não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
mas antes muito mais se esforça assim
um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
não creio que é razão; mas há de ser
inclinação que eu tenho contra mim.
mas, porque assi o pedia o coração,
quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte, e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
que perde suas forças a afeição,
porque não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
mas antes muito mais se esforça assim
um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
não creio que é razão; mas há de ser
inclinação que eu tenho contra mim.
12.12.05
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