31.1.06

Mulherzinhas históricas

Parecem duas irmãs, estamos à espera de as ver criar rabo e duplo queixo, com um ou dois filhos, maridos, cunhados e sogras, vestidos de casamento tipo suspiro de poliéster. Uma olha de frente e é risonha, a outra sorri com ironia. Já deram, aposto, para muitos peditórios de gajas assim ou assado, de pouca-vergonha, de fufas, de cerveja e tremoço. Foram com outros antes mas isso não interessa. Passaram possivelmente por uma bata de serviços de limpeza, conheceram-se talvez na carrinha do aspirador. Agora estão naquela, uma com a outra. Será mais ameno. Acho-as perfeitas na mediania. Querem casar uma com a outra mas os sexos não são diferentes. Vão fazer história.

Enquanto não chega o dia 4 de Abril de 2048

Segundo o link que encontrei no Xicuembo, expira a 4 de Abril de 2048 o meu prazo de validade, se eu ainda andar por aqui.
Reparando na data, ironicamente cheia de números pares, encontro uma razão hipotética para a minha preferência por números ímpares.
Tudo isto recorda-me um velho problema: o que fazer dos meus dias. Dos meus minutos. Das minhas quinzenas. À primeira vista, sobra-me tempo. Basta-me um segundo, este. Este que passou ou o que vem já agora ou logo ou depois. Fico inteira no tempo de um segundo feliz.
Via Xicuembo, dizia eu, onde hoje também se oficia caligraficamente, tomado daqui.

Do mulherio criativo


Martha Graham. Lamentation.

30.1.06

Lamentações oblíquas

Martha Graham, Lamentation ( oblique), 1935

São cerca de cinquenta os dias que faltam para o Inverno terminar e não são os mais fáceis.

Postas literárias de cacaracá*

Todas as que se inspiram no sarcasmo, essa forma de mau hálito.

*ortografia corrigida

Serviço de cicerone*

Estimadas visitas do Quase em Português:


O quadro do precoce rapazinho alemão é o da Madona da pêra. Se Vossas Mercês se interessarem, temos mais alguns aqui em exibição, com excelente fruta, sem sair da mesma variedade. Há cravo e pêra e pêra e canela; também temos sem pêra mas com linhas.


PS: Possuímos ademais excelente serviço de apostas com palpite já formado a propósito da próxima playmate do Lutz, identificado que está o colega de jogos italiano - um rapazinho, com aquela cara de bonzinho, que se tornou num bom atrevido, oh sim..., pela maciota.


* Gratificação não incluída e bem-vinda.

Palavras larvas

Imperdível. A única coisa imperdível que conheço é a sombra, e mais ainda a da morte. Ouvida mais que uma vez por ano, traz más vibrações ao tímpano. Deslarve-se.
Obviedade. Encontro, finalmente, a palavra recenseada em dicionário. Que alívio assim ficar desonerada de suprir - a que seria - tão pesada falha. Posso arrumar no armário a obviosidade que me despontava na língua, à sombra da ignorância. Desfungue-se.

Vitrina


O vestido do Mal. Duplamente aconselhado.

28.1.06

A doçura do espírito e das palavras

DÜRER, Nossa Senhora da pêra. 1512
A pêra foi agora cortada e o menino toma-lhe a lição de doçura. Nunca foi criança tão irrequieta, nem nunca tão crioulo como aqui. Doce na boca, doce nas palavras, o menino aprende a lição da pêra. Uma cinza dourada desce apenas até à fronte de ambos. Doçura de claridade nas mentes. A lição é a da sabedoria. O menino aprende-a.

Manual de instruções #12

É recomendável exercitar a memória. Não confundir com fantasia.

27.1.06

O prato da casa

Não se mostra o que não há que mostrar, pois, ao contrário de outros, este é verdadeiramente um blogue de família, mas eis aqui o momento em que é adicionado o leite à sopa de peixe.

Nas costas do sabayon

Depois de ter gorado a produção de um brioche na semana passada - a massa azedou, pá, o fermento era bera, comecei-o cedo demais, diz ao Alves que talvez sim talvez não e passa-me aí o sal - empreendi um sabayon. Para réussir há aquela manobra de bien fouetter. Pois não é que entre o ir e o vir da vareta dou pelo bombyx mori antecipando a Primavera (afinal, 'tadinho, que valente!, recompôs-se bem dos cansaços...) com toda a sorte de jogos de sociedade e anúncios de damas primeiras?! Não lhe bastavam já as meninas?! Ó sáchavor! Aquilo é mesmo assim ou as folhas de amoreira foram substituídas por outras ainda menos canónicas?! E como é que se faz agora com o respeitinho?!
[Que é como quem diz: que bom o bombyx ter voltado, como anda inspirado e que bela companhia lá se fez!]
(aditados)

Pergunta dietético-prescrutiva

É perrexil?

Pergunta fora do tempo

Que horas são?

Pergunta género-paisagística e sua amena resposta e é pró menino e é prá menina

E é pró menino:
O que é que um alemão em Portugal faz com a paisagem natural?
Naturezas femininas coleantes.

E é prá menina:
O que é que uma portuguesa na Alemanha faz com a paisagem natural?
Mansas naturezas masculinas.

[E já agora, parabéns Helena, nunca vi uma paisagem tão próxima do corpo masculino! Bem achada!]

Pergunta perguntadeira e sua responsiva resposta

O que é que as comemorações de Mozart têm de bom?
Mozart.

Pergunta de algi-beira e sua cão-petente res-posta

O que é que dói na Beira?
Dói o frio de cão na ovelha.

23.1.06

Romance avant la page

Kandinsky, Composição X. 1930 ['clic'!]

Xisdécimo par sob a indiferença monótona da lua. Os clássicos são sempre os clássicos e uma rosa é uma rosa é uma rosa. None's place. É cedo ainda. Rodopia.

A vida

Pois continua, Lutz. Segue-se o que se segue. Atentemos.