22.2.06
Manual de instruções #16
21.2.06
Quando soube ao fim do dia
E também, quando brindei ou quando os meus planos se realizaram, ainda assim não fui feliz;
Mas o dia em que me ergui de madrugada em perfeita saúde, refrescado, cantando, inalando o maduro hálito do outono,
Quando vi a lua cheia no oeste fazer-se pálida e desaparecer na luz da manhã,
Quando vagueei só pela praia e, despido, me banhei rindo nas águas frias e vi o sol erguer-se,
E quando pensei que o meu amigo querido, meu amante, vinha a chegar, oh então fui feliz;
Oh então mais doce era o sabor do ar - e durante todo esse dia a comida me alimentou mais - e o maravilhoso dia passou-se bem,
E o seguinte dia chegou com igual júbilo - e com o seguinte, à tardinha, chegou o meu amigo;
E nessa noite, enquanto tudo estava tranquilo, ouvi as águas enrolando-se lentamente continuamente pela praia,
Ouvi o sibilo murmurado das águas e das areias, como se dirigido a mim, suspirando, felicitando-me,
Pois aquele que eu amo mais repousava adormecido junto a mim sob a mesma coberta na noite fria,
Na quietude, no luar de outono, a sua face inclinada para mim,
E o seu braço pousava levemente em torno do meu peito - e nessa noite fui feliz.
Walt Whitman, When I heard at the Close of the Day. Leaves of Grass (1860)
trad. insana
Descubra as manias (quase um passatempo)
Watwood, Music and Poetry. 2000"A Bês" já tinha confessado manias, uma mão-cheia. Neste passatempo vão outras tantas, directamente do tropel das paixões, para sagazes descobridores. Não houve como resistir ao apelo de quem, também, se desfaz dos livros. Sniperizada.
20.2.06
Rude e esfaimada
19.2.06
Um mim com um poucochinho de eu
Chamem-lhe espírito monográfico, ou até narcisismo, meu
18.2.06
O eu sem mim
17.2.06
Subir na vida
16.2.06
Estigma paratemplate
Manual de instruções #15
15.2.06
Liberdade de pensamento
Assim, quantas vezes o desvio "da posição" é zurzido como contradição, vezes demais, cedo demais, com fervores judicativos e soberanos, a excomunhão sempre a pairar.
14.2.06
Rumi
"Antes presa que predador.
Faz de ti o meu bobo.
Pára de tentar seres o sol e torna-te mancha!
Fica-te à minha porta e faz-te mendigo.
Não tentes ser a luz da vela, sê a traça,
assim possas sentir o cheiro da vida
e conhecer o poder secreto que há no servir".
Rumi, Mathnawi V. 411-414 The Rumi Collection
trad. insana
Serviço de massagista no S. Valentim para corações desamparados

Clique e oiça o coro mavioso: "és o maiiooor!"*
À atenção de todos os cavalheiros temporariamente em deriva solitária.
*alguém que avise o Pedro Mexia, pode ser que lhe interesse também, embora este blogue seja de imaculada candura.
13.2.06
Achada de vírgulas e brincadeiras
12.2.06
As bandeiras
11.2.06
Parcerias. Aimez donc, et mourez !
10.2.06
Rapazes da minha estima
Eu digo que a liberdade não é um fim em si; o Lutz pergunta-me de que fim é então.
Eu digo que gosto das palavras mas não me emociono demais com elas e o Luís pergunta-me se eu discordo dos rapazes da estrada e porquê colocar vírgulas.
Por outro lado, o Afonso toca a rebate por crer que qualquer vírgula na liberdade de imprensa será um silêncio a mais (embora depois, em comentário, suscite a questão da efectividade da própria liberdade de imprensa, a que quaisquer limitações abundariam às limitações já de raíz, se bem entendi, e acrescente, conquistando a minha adesão, que a liberdade de opinião é em si mesma um dispositivo retórico que, nas sociedades ocidentais democráticas, camufla o exercício arbitrário do poder simbólico - o poder de dizer o que e como as coisas são).
Entendo o seguinte:
9.2.06
Legenda sobre o post anterior. A liberdade
Inocentes
8.2.06
Londres



Daqui. No Mar Salgado perguntava-se há dias pelos moderados. Estão aqui. Estão a usar as suas liberdades também. Contra extremistas da(s) liberdade(s) de (/na) expressão.
6.2.06
A quem possa interessar
Educação dos meninos
5.2.06
Barquinha de Belém prá Fáfá
Quem leva aí?
-Levo a Fáfá
Como outra não há,
Dim Dem
A que anda por Belém.
Dem Dim
- Leva-me também a mim
- A ti não levo
Que já levo três
Dim Dem
E já tenho entremez.
Dem Dem
- Vou dizer à minha Mãe.
- Vai lá, vai lá.
- Mas dou vivas à Fáfá.
-Muito bem,
muito bem.
-Viv' à Fáfá de Belém.
prontos! ao menos eu.
4.2.06
Do casamento
3.2.06
SMS - Save My Soul!
Era uma vez uma senhora e um senhor
2.2.06
Que me queres tu, a mim,...
Depois de destampadas pela remoção da mania primeira e rainha de todas as outras - a de que não tenho manias nem hábitos firmes -, começam a surgir aos magotes, vejo que nem sequer em fila indiana!, golfadas e golfadas de manias.
1.2.06
Manual de instruções #13
Roendo um pastelito de bacalhau em Hyde Park
31.1.06
Mulherzinhas históricas
Enquanto não chega o dia 4 de Abril de 2048
30.1.06
Lamentações oblíquas
Postas literárias de cacaracá*
*ortografia corrigida
Serviço de cicerone*
PS: Possuímos ademais excelente serviço de apostas com palpite já formado a propósito da próxima playmate do Lutz, identificado que está o colega de jogos italiano - um rapazinho, com aquela cara de bonzinho, que se tornou num bom atrevido, oh sim..., pela maciota.
* Gratificação não incluída e bem-vinda.
Palavras larvas
28.1.06
A doçura do espírito e das palavras
DÜRER, Nossa Senhora da pêra. 1512A pêra foi agora cortada e o menino toma-lhe a lição de doçura. Nunca foi criança tão irrequieta, nem nunca tão crioulo como aqui. Doce na boca, doce nas palavras, o menino aprende a lição da pêra. Uma cinza dourada desce apenas até à fronte de ambos. Doçura de claridade nas mentes. A lição é a da sabedoria. O menino aprende-a.
27.1.06
O prato da casa
Não se mostra o que não há que mostrar, pois, ao contrário de outros, este é verdadeiramente um blogue de família, mas eis aqui o momento em que é adicionado o leite à sopa de peixe. Nas costas do sabayon
Pergunta género-paisagística e sua amena resposta e é pró menino e é prá menina
O que é que um alemão em Portugal faz com a paisagem natural?
Naturezas femininas coleantes.
E é prá menina:
O que é que uma portuguesa na Alemanha faz com a paisagem natural?
Mansas naturezas masculinas.
[E já agora, parabéns Helena, nunca vi uma paisagem tão próxima do corpo masculino! Bem achada!]
Pergunta perguntadeira e sua responsiva resposta
Mozart.
Pergunta de algi-beira e sua cão-petente res-posta
Dói o frio de cão na ovelha.
23.1.06
Romance avant la page
Nem vitória estrondosa, nem chumbo maciço.
Cenas do próximo episódio
22.1.06
Isto não começa nada bem
Se eu alguma vez
Tempo de encomenda
21.1.06
Deixa sangrar, caramba!

É assim que os amores para olvido devem ser tratados*: não esquecer envelopar a genitália, o ventre outrora patinável e a zona circundante da glote, por vezes tenra. Não vale a pena o paninho quente.
E agora, vou apanhar ar.
Nitsch ad, ab nichts!
*Rectificação, interrompendo o arejamento: este post é o resultado da minha latente natureza masculina, já que foi produzido sob a influência do chamado espírito play station (Because men, generally, have PlayStations, lembrou a Inês recentemente). Digo que são os "amores" que devem ser tratados dessa maneira, não os "rapazes"! Esses devem ser bem tratados sempre, ainda que não seja porque mais cedo ou mais tarde, se não se desviarem, regressarão aos tratos das nossas sorores, e se não for das nossas sorores será aos dos nossos amigos. Percebo, de acordo com recente lição sobre a natureza feminina, que poderia pensar-se que me referia aos "amados" e não aos "amores". Fica feita a legenda. E agora, vou mas é fazer uma sauna ou qualquer outra coisa delicada, que o brioche continua a levedar e o dia está azul.
Coisas de perfil
Da efeméride que 'floréce' e do brioche que 'créce'
Na melhor técnica, é de véspera que se preparam os brioches.
19.1.06
Room service
Pós-post com uns diazitos de atraso (mas antes da referência feita pelo Xicuembo não tinha sentido ser caso deste esclarecimento): Este texto, com link embebido, foi bifado do Hotel Sossego. Assim, tipo souvenir...
Manual de instruções #11
18.1.06
Da virtude no casamento
Ca tem nada na ês bida más grande que amor

Pois não, não tem.
Coisas que em português imesclo não soem dizer-se com tanta limpidez. Um rodriguinho vivaz, oxiúro nos largos caudais do saber-que-se-sente, mina de fininho o sentir e faz do impulso, doença. Trôpega tradição. Mas não menos comovente.
O manuscrito é de Eugénio Tavares.
17.1.06
Retrato

Seria assim. Talvez denso mas não compacto. Cheio mas disperso, ampla malha. As cores seriam simples. Seria assim talvez. Estarias flagrante na ausência.
Sol LeWitt. Wall Drawing #65. Lines not short, not straight, crossing and touching, drawn at random using four colors, uniformly dispersed with maximum density, covering the entire surface of the wall. Pormenor.
15.1.06
Ratinhos presidenciáveis
Excepção de grave urgência feminil. Sou fêmea e estou-me nas tintas para a pátria

12.1.06
Homens mecânicos e super-heróis
O caminho da democracia é para a frente
O Estado sou eu - também
O enfado enorme
Isso já me passou, contudo.
Depois de ver o número de sapateado de JPP a tentar disfarçar o bocejo que é Cavaco Silva com a pretensa hipotonia do povo, logo ali repreendido, recuperei da letargia.
Pela primeira vez associei algo de positivo à hipotética vitória de Cavaco: como é que JPP se colocaria nesse quadro? Especializar-se-ia a dourar-lhe a aridez das ideias ou enveredaria por missão apostólica de educar a populaça impensante?! Coelho e cartola ou malabarismo?
10.1.06
1% a day...
Ao fim de um dia de campanha, menos 1% nas intenções de voto.
Figas insanas para que a tendência se mantenha. Abrenúncio.
Não gostei. Gostei
- de Manuel Alegre, de comitiva e campanha eleitoral com todos, a passear homenagens no cemitério;
- da explicação (?) que Soares deu para deixar de responder aos jornalistas (embora a título individual tenha toda a minha solidariedade, aquilo deve ser um pitéu).
Gostei:
- de ver o senhor que tinha ido ao jantar do Cavaco Silva, com a mulher e a sogra, dizer que estavam lá todos os militantes do PSD;
- de ser entrevistada para uma sondagem. Por alguns momentos, decidi os resultados eleitorais.
E depois? Morreram as vacas e acabaram-se os bois. Sonhar é bom.
9.1.06
Shaw
Demonstração de que sempre há algumas vantagens numa economia de trocas directas - e com a licença de JG, que levou, na troca, a carta de Schiele abaixo postada - apraz-me muito colocar aqui o retrato deste cavalheiro.




















