28.2.06
We don't need no education, digo eu. We do, beibi, diz ela
Devo ser mais velha que a Inês pois acredito principalmente num homem que não me leve a comprar livros.
27.2.06
And where, oh where, are the naked men?! Aqui, por exemplo

O meu contributo para a questão tocada pelo Tiago. Este senhor aqui está despido há mais de vinte e três séculos e ainda não se constipou. O bom tinto tê-lo-á ajudado, dir-me-ão os meus viris amigos, que gostam de colar nas paredes dos seus blogues senhoras bem recortadas - ou até as gentis amigas que também gostam de pendurar senhoras bem recortadas nos seus blogues, embora não para consumo directo (isto sou eu a supor), antes como quem diz, em ricochete de sedução, "eu quando for grande e sexy hei-de ser assim". Ora, este senhor, passe o mutismo arreliante e a excessiva passividade, tem muito por onde se lhe olhe e é bom que permaneça assim destapado. Quem diz que há uma falta de hábito na contemplação da nudez masculina pode trazer o banquinho e sentar-se pelo tempo que quiser. Quem diz que as mulheres descuram as honras ao belo traçado varonil (excepto se transposto para conta bancária) pode ficar aí a ouvir-me treinar mnemónicas de adjectivos carnívoros ou deglutíveis (ou a ver-me passá-lo a ábaco, nas tabuadas dos dedos), enquanto o meu staff apronta a lista de elogios ao carácter, ao estilo e às qualidades morais.
26.2.06
25.2.06
Prantos e jejum
Em puro espírito do contra, aqui faz-se jejum e alastra-se em prantos. Pranteia-se pelos ritos distanciados. Pranteia-se porque há vozearia barulhenta ou altiva ou com fífia canora ou canónica sem dó ou catatónica moralmente, ou, em qualquer caso, canina. Não disturbar, autodetermina-se. À medida das nossas possibilidades também nos evadimos pelos campos. Lencinho no bolso, pelo sim, pelo não. Na verdade, porém, não é o espírito do contra, sequer; é mais a lamúria dos ritos sonegados e a vulgar questão da supremacia dos limites anatómicos.
24.2.06
23.2.06
Convertida ao poder do amor
Uma nova confissão religiosa alastra na blogosfera. Ele ama-o, até aí tudo bem. E ele, por sua vez, amá-lo-á, por isso, a ele? E a ela, quem a ama? Amar-me-ia ele mesmo a mim da mesma maneira que o ama a ele?! E ela, acharia bem mesmo assim?
Colo, colinho é que era

É o que se dá a Baco quando o passo lhe parece falhar. Isso e não diuréticos. Mesmo que Baco se engane sobre a falsidade dos passos, talvez por efeito - sem causa! - de surpreendentemente insanos hábitos de leitura. A arma rebrilhante, a pontaria afinada, o dedo em riste, é que é pra manter, sáchavôrzinho. Ou tenho de ir buscar as bandeiras?!
Conselho
Um conselho a todos: leiam mais livros e menos blogs. Poupem-se, todavia, alguns; como o que dá tais conselhos.
22.2.06
Manual de instruções #16
Já minha avó me dizia que era indispensável a ablução generosa com água fria para salvaguardar a galhardia do busto, a qual, por sua vez, favorece um modo de vida saudável e socialmente útil. Tal não dispensa as boas alfaias, é certo, mas é já meio caminho andado.
[Instrução afixada na sequência de mais uma extremosa sapiencial ilustração do Afonso Bivar]
21.2.06
Quando soube ao fim do dia
Quando soube ao fim do dia como o meu nome havia sido recebido com clamores no capitólio, ainda assim não foi para mim feliz a noite que se seguiu;
E também, quando brindei ou quando os meus planos se realizaram, ainda assim não fui feliz;
Mas o dia em que me ergui de madrugada em perfeita saúde, refrescado, cantando, inalando o maduro hálito do outono,
Quando vi a lua cheia no oeste fazer-se pálida e desaparecer na luz da manhã,
Quando vagueei só pela praia e, despido, me banhei rindo nas águas frias e vi o sol erguer-se,
E quando pensei que o meu amigo querido, meu amante, vinha a chegar, oh então fui feliz;
Oh então mais doce era o sabor do ar - e durante todo esse dia a comida me alimentou mais - e o maravilhoso dia passou-se bem,
E o seguinte dia chegou com igual júbilo - e com o seguinte, à tardinha, chegou o meu amigo;
E nessa noite, enquanto tudo estava tranquilo, ouvi as águas enrolando-se lentamente continuamente pela praia,
Ouvi o sibilo murmurado das águas e das areias, como se dirigido a mim, suspirando, felicitando-me,
Pois aquele que eu amo mais repousava adormecido junto a mim sob a mesma coberta na noite fria,
Na quietude, no luar de outono, a sua face inclinada para mim,
E o seu braço pousava levemente em torno do meu peito - e nessa noite fui feliz.
Walt Whitman, When I heard at the Close of the Day. Leaves of Grass (1860)
trad. insana
E também, quando brindei ou quando os meus planos se realizaram, ainda assim não fui feliz;
Mas o dia em que me ergui de madrugada em perfeita saúde, refrescado, cantando, inalando o maduro hálito do outono,
Quando vi a lua cheia no oeste fazer-se pálida e desaparecer na luz da manhã,
Quando vagueei só pela praia e, despido, me banhei rindo nas águas frias e vi o sol erguer-se,
E quando pensei que o meu amigo querido, meu amante, vinha a chegar, oh então fui feliz;
Oh então mais doce era o sabor do ar - e durante todo esse dia a comida me alimentou mais - e o maravilhoso dia passou-se bem,
E o seguinte dia chegou com igual júbilo - e com o seguinte, à tardinha, chegou o meu amigo;
E nessa noite, enquanto tudo estava tranquilo, ouvi as águas enrolando-se lentamente continuamente pela praia,
Ouvi o sibilo murmurado das águas e das areias, como se dirigido a mim, suspirando, felicitando-me,
Pois aquele que eu amo mais repousava adormecido junto a mim sob a mesma coberta na noite fria,
Na quietude, no luar de outono, a sua face inclinada para mim,
E o seu braço pousava levemente em torno do meu peito - e nessa noite fui feliz.
Walt Whitman, When I heard at the Close of the Day. Leaves of Grass (1860)
trad. insana
Descubra as manias (quase um passatempo)
Watwood, Music and Poetry. 2000"A Bês" já tinha confessado manias, uma mão-cheia. Neste passatempo vão outras tantas, directamente do tropel das paixões, para sagazes descobridores. Não houve como resistir ao apelo de quem, também, se desfaz dos livros. Sniperizada.
20.2.06
Rude e esfaimada
Não li hoje jornais, não ouvi notícias, não vi televisão. Não sendo domingo, não me apetece falar dos aleluias à criação, essa excentricidade de cultivar aqui um hábito compassado. O mulherio douto e audaz esgotou-se ao almoço, bem como toda a especulação. Seria caso para falar das minúcias da pesca. De escamas que ficam coladas à pele dos braços, o cheiro a peixe debaixo das unhas. De quando o peixe fila o anzol, a linha retesa, a cana verga. Destrancar o peixe e hesitar se se deixa morrer na asfixia ou se se lhe aplica o golpe. Um murro mal dado estraga o jantar. No peixe, claro. Mas não pesquei; fiz, sim, um pão-de-ló.
19.2.06
Um mim com um poucochinho de eu
Quando deu por si, doíam-lhe as costas e já tinha o tabuleirinho do chá na mão.
Chamem-lhe espírito monográfico, ou até narcisismo, meu
Mas não consigo parar de ler isto, nem os sorrisos lambuzados que me provoca este divertimento:
Addenda englobada!
18.2.06
O eu sem mim
Era uma amnésia invertida. Sabia o nome, o lugar das coisas, as datas. Elencava sem esforço os principais colunistas de sete jornais, o jantar de ontem e as férias do ano passado. Não havia mistério com horários, preferências dos clientes, encomendas e projectos. Sabia o conteúdo funcional da sua posição na empresa e o seu estatuto na família, na sociedade, situações de trânsito incluídas. Mas perdeu a inteligência da fome. Não se lembrava onde ficava a boca por onde saciasse a fome que o consumiu sem que tivesse chegado a lembrar-se, também, do motivo daquela crescente fraqueza.
17.2.06
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