4.3.06

Efemérides

A ocasião será boa, talvez, para dizer que a Voz do Deserto é um dos meus blogues favoritos.

A cinzenta sisudez

Só não há um projecto político no sisudismo por falta de engenho e garra; quanto ao mais é a soez ditadura dos medricas.
Post post: A Helena, através do (Q)eP, acaba de me ajudar a perceber que o palavreado é uma forma de sisudismo, inimigo que é da aristotélica preclara insolência.

3.3.06

Bons sensos

Schiele.

E, para já, fim de ciclo. Domingo será dia de aleluia e é necessário preparar o espaço.

1.3.06

Uma pessoa chamada Gis

Estou de acordo com o Luís e através dele com o que leio nos Avatares de um Desejo.
Penso no tempo que por vezes demora a eliminar uma vida. Recordo-me, por exemplo, de uma garoupa que não se despreendia da vida e me obrigou a sucessivas manobras de procura de algum centro vital até que se apaziguasse. O nojo de impor a morte, acredito, progride ao longo da escala evolutiva, desde a animosidade ligeira até ao ódio.
Penso também nas histórias da infância, de pessoas vitimadas por "ataques", que eram veladas agonizando nas suas camas, por vezes dias a fio, sem comer, sem beber, sem falar, talvez sem pensar, e nunca mais se deslindava o estertor final. Penso em alguém que levou uma heróica luta de sobrevivência a dois anos agónicos, até que se foi misteriosamente. Penso como é às vezes resistente esse fio que nos prende à vida, como é às vezes acesa a luta para o cortar.
Penso na quantidade de pedradas, de golpes, de impactos que foram necessários para matar a Gis. Penso na quantidade de energia, de incitamento, de largueza, de esforço. Na persistência de Gis a não morrer, no alevantamento dos ânimos mais e mais agastados, na ebulição de ímpetos, na exaltação do abismo da ira, da repulsa odiosa, na descurada banalidade do mal. Penso se terão sido muito confusos ou muito pacificados os últimos segundos da consciência de si, da Gis. Penso na última centelha do último olhar de ver e no silêncio depois.

27.2.06

And where, oh where, are the naked men?! Aqui, por exemplo


O meu contributo para a questão tocada pelo Tiago. Este senhor aqui está despido há mais de vinte e três séculos e ainda não se constipou. O bom tinto tê-lo-á ajudado, dir-me-ão os meus viris amigos, que gostam de colar nas paredes dos seus blogues senhoras bem recortadas - ou até as gentis amigas que também gostam de pendurar senhoras bem recortadas nos seus blogues, embora não para consumo directo (isto sou eu a supor), antes como quem diz, em ricochete de sedução, "eu quando for grande e sexy hei-de ser assim". Ora, este senhor, passe o mutismo arreliante e a excessiva passividade, tem muito por onde se lhe olhe e é bom que permaneça assim destapado. Quem diz que há uma falta de hábito na contemplação da nudez masculina pode trazer o banquinho e sentar-se pelo tempo que quiser. Quem diz que as mulheres descuram as honras ao belo traçado varonil (excepto se transposto para conta bancária) pode ficar aí a ouvir-me treinar mnemónicas de adjectivos carnívoros ou deglutíveis (ou a ver-me passá-lo a ábaco, nas tabuadas dos dedos), enquanto o meu staff apronta a lista de elogios ao carácter, ao estilo e às qualidades morais.

25.2.06

Prantos e jejum

Em puro espírito do contra, aqui faz-se jejum e alastra-se em prantos. Pranteia-se pelos ritos distanciados. Pranteia-se porque há vozearia barulhenta ou altiva ou com fífia canora ou canónica sem dó ou catatónica moralmente, ou, em qualquer caso, canina. Não disturbar, autodetermina-se. À medida das nossas possibilidades também nos evadimos pelos campos. Lencinho no bolso, pelo sim, pelo não. Na verdade, porém, não é o espírito do contra, sequer; é mais a lamúria dos ritos sonegados e a vulgar questão da supremacia dos limites anatómicos.

23.2.06

Convertida ao poder do amor

Uma nova confissão religiosa alastra na blogosfera. Ele ama-o, até aí tudo bem. E ele, por sua vez, amá-lo-á, por isso, a ele? E a ela, quem a ama? Amar-me-ia ele mesmo a mim da mesma maneira que o ama a ele?! E ela, acharia bem mesmo assim?

Colo, colinho é que era


É o que se dá a Baco quando o passo lhe parece falhar. Isso e não diuréticos. Mesmo que Baco se engane sobre a falsidade dos passos, talvez por efeito - sem causa! - de surpreendentemente insanos hábitos de leitura. A arma rebrilhante, a pontaria afinada, o dedo em riste, é que é pra manter, sáchavôrzinho. Ou tenho de ir buscar as bandeiras?!

Conselho

Um conselho a todos: leiam mais livros e menos blogs. Poupem-se, todavia, alguns; como o que dá tais conselhos.

22.2.06

Manual de instruções #16

Já minha avó me dizia que era indispensável a ablução generosa com água fria para salvaguardar a galhardia do busto, a qual, por sua vez, favorece um modo de vida saudável e socialmente útil. Tal não dispensa as boas alfaias, é certo, mas é já meio caminho andado.
[Instrução afixada na sequência de mais uma extremosa sapiencial ilustração do Afonso Bivar]