12.11.06
11.11.06
6.11.06
Saddam e o aborto. Um exercício cru
1. Sim à pena de morte de Saddam e sim ao aborto.
2. Sim à pena de morte de Saddam e não ao aborto.
3. Não à pena de morte de Saddam e sim ao aborto.
4. Não à pena de morte de Saddam e não ao aborto.
2.9.06
Um, dois, três... experiência (da vida?)
30.8.06
28.8.06
Estocadas, penetrações e lanças gloriosas
27.8.06
Passa-me a salada

A vantagem de se ver o telejornal é que a informação já vem praticamente toda processada, tanto no aspecto em que vem desossada, como no aspecto em que já vem por ordem de importância. Não me escapasse a atenção para o secundário, teria sido possível ficar a saber ontem que o Futebol (Louvado-seja) assim, e o Futebol (Louvado-seja-nas-alturas) assado, e a Liga (Santíssima) cozido, e a Federação (Os-nossos-corações-estão-ao-alto) assado e muitíssimos pormenores e sensibilidades sobre isto, que questionam os fundamentos da civilização. Isto deu tempo para passar do aperitivo à sopa e da sopa à parte dos lombinhos de pescada, que se compram já sem espinhas e sem pele. Nos fait-divers, e à sobremesa, ao terminar o postre lácteo, também soube que uma prostituta apareceu morta numa rua de lisboa e, segundo uma entrevistada, a prostituta, que era uma prostituta, até nem costumava andar por ali àquelas horas na sua vida de prostituta e a menina das notícias confirmou qualquer coisa que voltou a requerer a utilização repetida do termo designativo, a saber, prostituta. Ao café já eu sabia que quem tiver Cães já pode proporcionar-lhes Fisioterapia. Nem é preciso palitar os dentes.
26.8.06
19.8.06
Sweet Fifteen, Never Kissed Before (Anymore) - Sweet Sour Fifteen - SS 15
Predominante a compaixão, lamenta-se o homem que viveu o peso silente de opções que eram naqueles dias tão banalmente prováveis e fáceis e tentadoras quão banal é, quase sempre, o acto leviano, cúpido, maldoso, rapace.Predominando a mágoa, predominando a fidelidade, predominante a raiva pelo sofrimento inútil, o homem não tem redenção, nem desculpa.
16.8.06
A má acção. Censura e impureza.
- Ó pá, desculpa lá, foi sem querer/estava em erro e não percebi a javardice que estava a fazer.
Take 2.
- Ó pá, desculpa lá, não sabia o que estava a fazer/não pensei bem/era um parvo.
15.8.06
22.7.06
Tempo do Mal
19.7.06
Post moderno na efeméride
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
(...)
Em honra dos (glaciais) humores cruéis, frenéticos e exigentes, no aniversário da morte de Cesário Verde.
17.7.06
Ciências do natural #3. O discreto e o contínuo no verbo "estar"
Há dias que não passaram, outros que se degradaram no uso da recordação e se tornaram miragens. Há muitas coisas para fazer sempre, há sempre muitas coisas, os dias são vítima disso. Em alguns dias bem-aventurados, pode-se soltar o tempo de mergulhar, os olhos presos pelos olhos. Quem diz os olhos, diz uma área circunscrita de pele, uma sombra fresca, uma guinada de som, uma ideia cheia e sumarenta. Fazem-se instantes que são infinitos contínuos, nós mesmos enrolados em clausura firme, num tempo que parece para sempre, para sempre, fincados num nó apertado da memória. É daí que depois espreitamos os dias discretos que passam, de onde tantas vezes estamos ausentes.15.7.06
14.7.06
Check list

Basta de candeeiros e beatas, de passadeiras e escadas, de deglutições em magote, de gravatas relativamente recentes e de camisas mal passadas por enfermeiras ucranianas.
Basta de ideias inúteis e de descobridores de fósforos.
10.7.06
Práticas eugénicas
9.7.06
O que se faz #5. Costura-se a voz
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme
("Poema I" da Luiza Neto Jorge)
Even educated flees do it
As fêmeas antílopes cortejam-se entre si e acariciam despudoradamente a genitália das suas preferidas, esteja ou não algum macho túrgido por perto. Os machos golfinhos juntam-se aos pares, podem até admitir fêmeas passageiras, e vivem nessa dupla longos anos de dedicação e meiguices. Os bonobos baralham as regras e acasalam com tudo o que vier à rede: fêmeas, outros machos, sem qualquer atenção à posição hierárquica na comunidade. Os babuínos, ferozes guerreiros, amam-se entre si, como gregos virtuosos. Há carneiros de porte castrense que são bichas impenitentes. E os polvos, até os polvos, querem lá saber da transmissão dos genes e não perdem oportunidade de um one-night-stand nas noites eternas dos mares profundos, com um outro bacano qualquer, ainda que de outra espécie, ainda que quatro vezes maior, que esteja a fim da interacção mais misteriosa da natureza. Nem os patos escapam à barafunda, incluindo em respeitáveis famílias um macho suplente para todo o serviço, inclusivamente o baby-sitting de patinhos satisfeitos e bem-comportados. Isto tudo aprendi eu ontem depois de me ter baralhado entre as folhas repolhosas de um Expresso deslavado, que em boa hora troquei por um programa da dois. 8.7.06
6.7.06
Ando batida aos pontos por um bronco
De subtilezas é o que reza a história. Não faz mal que tudo não passe de uma lengalenga, cantilena, ladaínha. A gente entretém-se e acontece entre as dobras, penugem ao vento. Mas um bronco não. O bronco é nesse sentido um tipo glabro, coriáceo. A espinha, creio eu, não se lhe arrepia, pois de tão dúctil se fez víscera suplementar, que malignamente me ocorre servir apenas de trânsito a portentoso bolo fecal. Não é a falta de letras, nem de cromossomas, nem a falta de ocasiões e de oportunidades, o que está na origem do bronco. Não sei como se diz "eu expando-me leve e flexível" nas narrativas do bronco. Até nisto o bronco exerce a sua insidiosa opressão. Nisso, sabotando-me insuperavelmente a possibilidade de enunciação, e também neste encalhamento opressivo que não me deixa sentir o cheiro da aragem, apesar de o dia estar azul e radioso. O bronco sabe que é bronco aos meus olhos e gosta de o ser. Assim ainda lhe sabe melhor levar-me ao tapete. O bronco também converge comigo quanto ao facto de estarmos de lado opostos sobre o que vale a pena. Está criada, pois, a situação laboratorial e o resultado não é muito animador: o bronco vence-me aos pontos, até agora; se ele acabar por vencer, hei-de tornar-me totalmente marginal, periférica, subinstanciada. O chimpanzé da imagem está comigo, é dos meus, acalenta-me.3.7.06
É desta. Começo a gostar do futebol
Sim, isso, as imagens das caras e dos gestos, uma torrente de expressão dos corpos e das faces, dos braços, das mãos. Além disso, as pessoas ficam bonitas. A bola, as regras do jogo e as bandeiras ainda não me cativaram, mas isso começa a parecer-me irrelevante. Não deve haver coreógrafo, por mais genial e bem equipado, que consiga replicar tanta energia e emoção.
2.7.06
Ciências do natural #2
O exercício do poder sobre alguém começa sempre assim. Confia em mim, que quer dizer, confia-te a mim. Eu nunca consigo confiar em quem pede a minha confiança. E se tento, perco-a de vista. E se confio, é porque já confiava. Confiar faz parte dos actos livres e gratuitos, governados por uma vontade que não se deixa modelar pelas ponderações do que é mais adequado fazer. No exercício do poder sobre os outros é preciso ter isso em conta. Na submissão ao poder dos outros sobre nós é escusado omitir a reserva nas conversas com os botões. É uma terrível perda de tempo o tempo de vida que se leva a perceber que se faz sempre o que se quer. Pior ainda é o custo da sabotagem da nossa vontade. Lá para a frente podem receitar-nos uns ansiolíticos para vivermos mais confortáveis com isso.
Pastoreando de táxi
para o cafre da Zambézia, o símbolo da tristeza é o pastor no isolamento da campina distante, vigiando o rebanho
O senhor Sousa pastoreou-me no seu táxi ontem à noite. Eu fui a ovelha desta vez. Tinha umas réstias de Rachmaninov ainda comigo.
1.7.06
Apreensão metafutebolística
30.6.06
Being watched. Pai nosso que estais no céu
We examined the effect of an image of a pair of eyes on contributions to an
honesty box used to collect money for drinks in a university coffee room. People paid nearly three times as much for their drinks when eyes were displayed rather than a control image. This finding provides the first evidence from a naturalistic setting of the importance of cues of being watched, and hence reputational concerns, on human cooperative behaviour.
Por causa disto, percebo agora, ofereceram-me um dia uma pintura a acrílico sobre papel de embrulho, no qual me tinha chegado uma encomenda de víveres familiares. A obra foi produzida em solidariedade noctívaga, nas vésperas de um exame que implicava lauta assimilação de inutilidades e uma das questões que recorrentemente se cruzava por esses dias era precisamente a da minha fidelidade oculta a pautas de morigeração, apesar do verbo libertário. Incauta, deixei-me acompanhar por essa imagem ao longo do tempo. Levei-a para a minha casa adulta e até as crianças aprenderam o seu próprio nome sob o meu gesto remissivo. Já não vive quem, apesar de nunca ter sido apresentado ao autor da pintura, foi representado no quadro, com o seu olhar agudo. Eu continuo a discutir, a argumentar, a discutir-me, a argumentar-me. O olhar nunca mais se gasta. Ocasionalmente olhei-o de viés, triunfante de algum pequeno feito de naughty girl, em dias que não contribuiram para a frescura e longevidade dos meus sofás. As quais, tal qual nas pessoas, parecem andar curiosamente cosidas aos bons costumes. Com o passar do tempo, sobretudo porque naquela imagem reside hoje a única evidência física, exterior a mim, de que o olhar alguma vez existiu, vem acontecendo o estranho fenómeno de os olhos se tornarem cada vez mais significativos, a ponto de eu começar a detectar o esforço físico de focagem. Tudo visto e ponderado, num dado instante, as coisas seriam assim. Esse momento, quando o capto, devolve-me outro indício de que existo.
25.6.06
O que se faz #4. Tomando as coisas como elas são
O que se faz #2. Fazendo flores
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...
Violets are red
I'm not good with colours
But I'm good in bed
24.6.06
Speculum
Prière
21.6.06
Futebol
Quase-prova de vida
18.6.06
16.6.06
São rosas, apenas rosas, meu adorado senhor
14.6.06
De volta às quotas
All things please the soul—but these please the soul well
Harry Holland, Theo. 2006 [click]I have perceiv’d that to be with those I like is enough,
To stop in company with the rest at evening is enough,
To be surrounded by beautiful, curious, breathing, laughing flesh is enough,
To pass among them, or touch any one, or rest my arm ever so lightly round his or her neck for a moment—what is this, then?
I do not ask any more delight—I swim in it, as in a sea.
There is something in staying close to men and women, and looking on them, and in the contact and odor of them, that pleases the soul well;
All things please the soul—but these please the soul well.
13.6.06
12.6.06
Mosquito
Na lista de tudo o que sei que não acedo consta agora um Mosquito. Conceberam-no para protecção de lojistas que queriam manter à distância adolescentes indesejáveis, embora seja também útil para espantar jovens hooligans. É um som e só os novos o ouvem; aos ouvidos adultos é inexistente. Passou a toque de telemóvel, muito conveniente para utilização escolar. Se o Romeu e a Julieta estivessem assim apetrechados as coisas não teriam corrido tão mal. A não ser, claro, que acabasse a bateria ou estivessem sem rede. Ou sem saldo. 11.6.06
Ciências do natural #1
10.6.06
Do género. Espécies procriativas aos sábados e domingos

Quando não chove, as espécies domésticas procuram o ar livre e, à medida da compostura de cada qual, afadigam-se em valorosos entretenimentos, ora educativos, ora benfazejos, das suas crianças-programa. É preciso que o tempo passe e as microproles são boas para isso. Saber o que fazer é saber quem se é. As microproles são mesmo boas para isto. Enfim, desde que colaborem.
8.6.06
Órgão intrépido
5.6.06
Silogismo duodecimal
3.6.06
O veto e a realidade*
Terá o Presidente tido em consideração a composição efectiva dos actuais grupos parlamentares? Se teve, deparou-se-lhe o seguinte:
O BE (4 deputados e 4 deputadas) e os Verdes (1 deputado e 1 deputada) praticam já uma lei da paridade propriamente dita. São pequenos partidos, são forças periféricas, não é muito expressivo, poderá dizer-se.
Passando ao PS, verifica-se que pratica já uma remediada lei dos dois terços e picos (74 deputados e 47 deputadas). Para esta força partidária, os mínimos já estariam sendo cumpridos; viesse a lei nova, calamidade nenhuma.
No entanto, o mesmo não acontece com os restantes grupos partidários:
O PCP, enfileirando-se actualmente segundo uma lei do sexto (10 deputados e 2 deputadas), teria de dar uma volta pelas militâncias e prebendas.
6.5.06
Partida
Bocage e eu, à vista dos fins
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah!, cego eu cria, ah!, mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não doirava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos.
Saiba morrer o que viver não soube.
[Manuel Maria Barbosa du Bocage]
4.5.06
Work in progress
Frances Benjamin Johnston. Stairway of the Treasurer's Residence, Students at Work, The Hampton Institute, Hampton, Virginia. 1899-19003.5.06
Check up on-line: nécéssaires
30.4.06
Tem hora di bai que não tem dor

Giorgio de Chirico. Gare Montparnasse (The Melancholy of Departure). 1914.
Não tem hora di bai sem nostalgia.
E, pensando bem, também não tem sem alguma esperança.
29.4.06
Da especificidade do género especialmente geral
Lavandaria
Treinando em jejum
28.4.06
Urso
27.4.06
A actualidade de um perfeito pretérito na língua em que penso
26.4.06
Jumping & etc
25.4.06
E contudo...
Onde é que você estava no 25 de Abril?!
24.4.06
Manual de instruções #20
A deter-me demoradamente
22.4.06
Imagens da trabalhêra

- Anda cá, meu comentador galdério dos blogues-dos-outros, sim, tu, bestiúncula apeada da vadiagem limosa!
- Chega-t'aqui, foste apanhado pela bocarra, excomungado anónimo escamoso, sim tu, criatura viscosico-bestiária das profundidades lodosas!
Ahhh, a trabalhêra qu'isto dá...
19.4.06
Ainda sobre as quotas

More women in government could also boost economic growth: studies show that women are more likely to spend money on improving health, education, infrastructure and poverty and less likely to waste it on tanks and bombs.
Pedagogias, pedaços e pés-de-galinha
18.4.06
Memória útil
‘—but there's one great advantage in it, that one's memory works both ways.’
‘I'm sure mine only works one way.’ Alice remarked. ‘I can't remember things before they happen.’
‘It's a poor sort of memory that only works backwards,’ the Queen remarked.
Lewis Carrol, Through the Looking-Glass, and What Alice Found There. Ch.5
17.4.06
16.4.06
A minha vela
Arrumando-me
Além de os folhear, de os soprar, de me ver transportada sempre com espanto aos dias em que li certos livros, agora hei-de levá-los a passear algumas vezes. O princípio e o fim de alguns. Assim me arrumo (oxalá não de vez!, oxalá ocasionalmente).15.4.06
Terceiro mandamento
14.4.06
Do que "é"*
Ambígua: Os nomes são dados, da(r)dos.
Reversão: Precários são os nomes.
Subverte-se assim.
*Não será talvez evidente, mas acabo de vir, assim, daqui.



































