30.9.05

O verniz na comunicação social

Gostei, neste artigo, do DN, assinado por João Miguel Tavares, do modo comedido como a desilusão com a Justiça foi exposta.
Não gostei do último parágrafo: "Mas desconfio que não esteja desacompanhado, porque a começar na Casa Pia e a acabar em Fátima Felgueiras, foram anos tétricos para a Justiça, amplificados por uma comunicação social bem mais agressiva do que antes. Graças a isso, além de lenta, todos ficámos a saber que a Justiça é má. E resta saber se além de má ela não é também corrupta. Daí que, quando os juízes ameaçam o País com uma greve inédita, alguém lhes deveria explicar que neste momento ficar sem dois meses de férias não é o problema mais grave que têm entre mãos. Mas são assim as nossas elites preocupadas com o verniz das unhas mesmo quando o mundo está a ruir à sua volta. "

"Graças" a uma "comunicação social bem mais agressiva do que antes" não ficámos apenas a saber que a Justiça tem muito para melhorar. Ficámos sobretudo a saber que a comunicação social tem muito pouca qualidade no acompanhamento dos assuntos da Justiça e com isso presta com frequência um verdadeiro serviço desinformativo ao país.
Além disso, arrepia-me pensar que é a dita comunicação social que vai apurar se a Justiça "não é também corrupta" pois o texto sugere-me que o critério para essa conclusão será o desfecho dos processos Casa Pia e Fátima Felgueiras: se a Justiça, lá com os seus métodos maus e passivos, concluir o que a comunicação social boa e agressiva já nos comunicou (todos para a choldra, já!), a Justiça passa o teste; se não houver cadeia-para-todos, que é como quem diz, moralidade, a Justiça chumba.

Mais ainda, achei daninha a referência ao verniz nas unhas. Para dar corpo à ideia de futilidade, João Miguel Tavares sugeriu um comportamento feminino. Que banalidade, que cansaço, este tipo perene de graçola cabotina varonil.

Referendo sobre o aborto à vista; problemas para o sim e dicas para o não

Ou vice-versa.
Este resíduo é sólido demais para eu o deixar ficar lá para trás agora que a discussão parece vir aí de novo.

Miss Anscombe, avistada aqui, que bravura a pensar!

Remédio crioulo para a procrastinação e a molenguice em geral

Se bo crê um coza, bo tem d´garral.

(se queres uma coisa, tens de a agarrar)