28.8.06

Estocadas, penetrações e lanças gloriosas

Com a energia e o vigor destes joelhos, peixes, gargantas, elmos e papoilas só tenho lido ultimamente literatura erótica. Se é que tenho lido. Belos, virtuosos e deslumbrantes homens no ... bl_g_ _x_st_.

27.8.06

Passa-me a salada


A vantagem de se ver o telejornal é que a informação já vem praticamente toda processada, tanto no aspecto em que vem desossada, como no aspecto em que já vem por ordem de importância. Não me escapasse a atenção para o secundário, teria sido possível ficar a saber ontem que o Futebol (Louvado-seja) assim, e o Futebol (Louvado-seja-nas-alturas) assado, e a Liga (Santíssima) cozido, e a Federação (Os-nossos-corações-estão-ao-alto) assado e muitíssimos pormenores e sensibilidades sobre isto, que questionam os fundamentos da civilização. Isto deu tempo para passar do aperitivo à sopa e da sopa à parte dos lombinhos de pescada, que se compram já sem espinhas e sem pele. Nos fait-divers, e à sobremesa, ao terminar o postre lácteo, também soube que uma prostituta apareceu morta numa rua de lisboa e, segundo uma entrevistada, a prostituta, que era uma prostituta, até nem costumava andar por ali àquelas horas na sua vida de prostituta e a menina das notícias confirmou qualquer coisa que voltou a requerer a utilização repetida do termo designativo, a saber, prostituta. Ao café já eu sabia que quem tiver Cães já pode proporcionar-lhes Fisioterapia. Nem é preciso palitar os dentes.

19.8.06

Sweet Fifteen, Never Kissed Before (Anymore) - Sweet Sour Fifteen - SS 15

Christoph Schmidberger, Untitled. 2005 Predominante a compaixão, lamenta-se o homem que viveu o peso silente de opções que eram naqueles dias tão banalmente prováveis e fáceis e tentadoras quão banal é, quase sempre, o acto leviano, cúpido, maldoso, rapace.
Predominando a mágoa, predominando a fidelidade, predominante a raiva pelo sofrimento inútil, o homem não tem redenção, nem desculpa.
Lamento o homem. Se tivesse sabido hoje que ele tinha sido o assassino do meu pai, do meu filho, do meu amigo, dos meus, não saberia encontrar apaziguamento para a minha raiva, talvez lhe arrancasse eu própria os olhos. A raiva em que se transforma uma mágoa assim é justa; bem como o nojo, que é uma forma de raiva surda.
A raiva justa, todavia, desculpa-se, compreende-se; em nenhum momento se confunde com um critério racional de agir, de ajuizar. A não ser que se trate de agir ou ajuizar perante a impureza ritual, a da violação da regra sacralizada em tabu, em vez de agir ou ajuizar sobre a violação de um preceito de conduta. A raiva justa compreende-se; a condenação à impureza verifica-se.
Lamento o homem. Pela banalidade, pelo peso do silêncio e, agora, pelo nojo.

16.8.06

A má acção. Censura e impureza.

Take 1.
- Ó pá, desculpa lá, foi sem querer/estava em erro e não percebi a javardice que estava a fazer.
- Ahh, então se foi sem querer/se reconheces e superaste o erro, o que fizeste não é tão mau como parece. Toma lá uma desculpadela/uma censura atenuada.

Take 2.
- Ó pá, desculpa lá, não sabia o que estava a fazer/não pensei bem/era um parvo.
- Soubesses ou não/tenhas ou não tenhas superado o erro/tenhas ou não actuado outramente e bem, fizeste o que não é de fazer. Estás impuro, contaminado pela hedionda acção. Ainda bem que nunca te apertei a mão. Vai furar os olhos. Quero lá saber que te chames Grass, ou Édipo ou lá o que for.