Um hino, um clube, uma farda, um ícone. Um lado de dentro, um lado de cá. Um connosco que trace finitude suportável ao eu que se espraia até já não se saber.
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25.11.07
17.7.06
Ciências do natural #3. O discreto e o contínuo no verbo "estar"
Há dias que não passaram, outros que se degradaram no uso da recordação e se tornaram miragens. Há muitas coisas para fazer sempre, há sempre muitas coisas, os dias são vítima disso. Em alguns dias bem-aventurados, pode-se soltar o tempo de mergulhar, os olhos presos pelos olhos. Quem diz os olhos, diz uma área circunscrita de pele, uma sombra fresca, uma guinada de som, uma ideia cheia e sumarenta. Fazem-se instantes que são infinitos contínuos, nós mesmos enrolados em clausura firme, num tempo que parece para sempre, para sempre, fincados num nó apertado da memória. É daí que depois espreitamos os dias discretos que passam, de onde tantas vezes estamos ausentes.2.7.06
Ciências do natural #2
O exercício do poder sobre alguém começa sempre assim. Confia em mim, que quer dizer, confia-te a mim. Eu nunca consigo confiar em quem pede a minha confiança. E se tento, perco-a de vista. E se confio, é porque já confiava. Confiar faz parte dos actos livres e gratuitos, governados por uma vontade que não se deixa modelar pelas ponderações do que é mais adequado fazer. No exercício do poder sobre os outros é preciso ter isso em conta. Na submissão ao poder dos outros sobre nós é escusado omitir a reserva nas conversas com os botões. É uma terrível perda de tempo o tempo de vida que se leva a perceber que se faz sempre o que se quer. Pior ainda é o custo da sabotagem da nossa vontade. Lá para a frente podem receitar-nos uns ansiolíticos para vivermos mais confortáveis com isso.
11.6.06
Ciências do natural #1
Chegar junto à parede, rodar sem esforço um brilhante objecto, frio mas agradável ao tacto, que existe para a minha mão. Ver, ouvir e cheirar a água que jorra. Ver, ouvir e cheirar a água. Que jorra. Seguir-lhe os trajectos. Submeter-lhe o corpo, receios nenhuns. A água viajou muito para chegar a mim e continua a verter. Não sei exactamente de que leito a tiraram, quantos quilómetros andou, a cor e a textura das vias por onde andou, tratos fiduciários que lhe foram dados. E é tépida. Sai da parede da minha casa, tanta quanta quero. Não a carrego, não a regateio. Posso abrir a boca e engoli-la sem ficar doente. A água continua a jorrar. Estou vários metros acima do solo, a distâncias mensuráveis de Gibraltar, do Mar Negro, da Austrália e de Mercúrio. A água corre ainda abundante e morna. Posso fazer isto todos os dias. Faço-o tantas vezes que já me parece uma coisa natural. Já nem lhe chamo chuveiro. Fico ciente.
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