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7.9.08
8.1.08
Homenagem ao homem que fuma

Eu beijei um homem que fumava.
Eu beijara um homem que fuma.
Eu beijava um homem que fumou.
Eu não beijo um homem que fuma (em princípio).
Eu não beijaria um homem que fumara.
Eu não beijarei um homem que fumava?!
Eu não beijarei um fomem que humou.
Eu bão neijeirei mumómem re qurama.
Homenagem aos logo-intrépidos cronistas do Público (VPV, AB, MST), combatentes do símbolo libertário e civilizacional do canudinho-de-fogo, com aquele amor ao coiso que só o vício pode conferir, de um ou outro modo outrora charmosos a meus tenros olhos, mas que eu hoje apenas beijaria se, de assistir em tempo real a uma discussão tão patentemente efémera e trivial, irrompesse uma brandura (marloniana) pelo meu coraçãozinho de pomba, inundando-o em maternalidades. O que não está a acontecer, até agora.
E a todas as minhas amigas: os homens que fumam tornar-se-ão em breve muito mais malcheirosos e macilentos do que agora. Recomendo a maior presteza na recolha dos últimos beijos toleráveis. A imagem do Brando fica aí para reflexão nisto mesmo a todas as que no fim dos anos 70 dobravam já os cabos da puberdade (às mais novas que isto, o exercício não é acessível, por falta de memória).
18.11.07
Descarnar com dentes agudos
Quando o VPV diz que o sarcasmo não o diverte tanto quanto a ironia e a seguir dá conta do alto valor que atribui ao que o diverte, como não lamentá-lo, pelo gáudio do povo exultante da sua mestria sarcástica, como não cumprimentá-lo com reverência, na compaixão da carne viva?
A entrevista ao Expresso pode ser lida, na íntegra, aqui, graças ao Atlântico.
A entrevista ao Expresso pode ser lida, na íntegra, aqui, graças ao Atlântico.
13.11.07
E agora ao contrário
A segunda esquila mais rápida da pradaria, dentro da classe geral dos esquilos, faz de conta agora que é a esquila mais rápida da pradaria. Deixa para trás os collants, as mini-saias e as protuberâncias bamboleantes. Como se condenada à predação, persegue o penúltimo esquilo, outrora ele, sim, o mais rápido. Agora sou o penúltimo esquilo, o que no início era o mais rápido da classe geral dos esquilos.
Diz, pois, a esquila fazendo de esquilo:
Penso por ofício de o ser que sou liso nos lavores. A ideia simples que faço de mim liberta-me energia que aplico na construção de uma complexa teia dos impulsos. Especializo-os. Toma daqui emoções, pega daqui as sezões. Para aqui isto, para ali aquilo.
Por serem assim especializados e analíticos posso dizer sem artifícios que sou agora uma fórmula lisa. Natural. Enigmático, nada.
24.7.07
20.7.07
Um dia assim
Video frame enlargement from Bill Viola's I Do Not Know What it is that I am Like, (1986).Mais que a falta da leitura de jornais, o excesso de práticas da vida dá vontade de receber cartas manuscritas. Daquelas que começam por "Minha Querida" e depois contam como vão andando as coisas numa caligrafia que escorre em ritmo calmo até ao primeiro, ao segundo, ao terceiro post scriptum e acaba nas margens em linhas cada vez mais fininhas e cheias outra vez de saudades.
29.6.07
Será pieguice, será leviandade
É irremediável: se entranho um estranho, estranha fico. Mas se o estranho não se deixa entranhar, muito eu estranho. O que é incompreensível, porém, é que se mesmo assim persisto em entranhar o estranho, logo estranho de novo por não entranhar sem estranho o estranho. Estranho sempre com espanto, mas por aqui não se passa disso.
28.6.07
24.6.07
Não é assim tão fácil de modo geral #2
O significado histórico do hífen. Efeméride nacional
Seria o filho da mãe um filho-da-mãe? Ela achava que sim. E ele achava que não. Ainda não percebi a história.
31.5.07
Aviso a todas as minhas amigas*
Lee Friedlander. New City, New York. 1997.Um dia podemos chegar ao espelho e não encontrar a nossa cara, nem a sombra da da nossa mãe, nem a faísca lúbrica do senhor da padaria. Pode só lá estar a impressão digital de uma forma de vida extinta. Um formigueiro salvífico talvez comece então a trepar-nos pelas pernas, numa onda de espuma que pode alastrar desde a loiça sanitária até às portas da cidade, numa enxurrada mole e oca. Nada disso deve ser encarado com naturalidade, nada disso é real.
* E amigos também.
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