30.3.07
O cartaz do PNR
Falar verdade à sexta-feira
27.3.07
QED. Porque precisamos de histórias
25.3.07
24.3.07
Medo, morte e destruição em Maputo

23.3.07
A casa e o quarto
14.3.07
9.3.07
A humilhação do dia seguinte

Acredito muito nas impressões do dia seguinte. De ontem sobram duas gerberas num copo de água, hirtas à custa da espiral de arame pela haste acima.
Entraram também ontem na minha memória, devagarinho, duas ou três frases que falavam em humilhação pela (ridícula, diziam) efeméride.
Hoje, com as gerberas de pétalas pendentes, o arame ainda perfeitamente enrolado, a embalagem vazia de iogurte e o creme enriquecido com L-carnitina que alguém me pôs na mão, dou-me conta de que a minha humilhação deste dia seguinte é não me ter forrado de luto ontem por causa da humilhação de a humilhação de todos os dias estar a tornar-se ensejo de um momento festivo.
Em trinta anos, a efeméride transitou de objecto. Mais do que assinalar estatísticas inaceitáveis e acontecimentos funestos, mais do que prestar homenagem à bravura de arriscar a vida, ou pelo menos as seguras compensações de uma respeitabilidade de psyché, na sustentação de despautérios, exageros, inconveniências e outras ridicularias, a efeméride passou a comemorar a graciosa arte de servir cafézinhos.
No próximo 8 de Março, se estiver viva, vou vestir-me de preto.





