30.3.07

O cartaz do PNR

As imagens do cartaz: um avião sobre uma quantidade larga de azul, o símbolo do partido, um sujeito de barbicha um tanto celta para a minha ideia do verdadeiro português (que terá qualquer coisa mourisca). Um conjunto empilhado como uma sala de estar cheia de bons costumes e caóticas geometrias. Mas inócuo, tanto quanto a falta de beleza o pode ser.
As frases do cartaz: Basta de imigração/Nacionalismo é solução/Façam boa viagem/Portugal aos portugueses.
Discordo por inteiro das frases; o voto de boa viagem, aparentemente a parte mais neutra, é um vão-se embora com luvas. Mas o centro da mensagem é basta de imigração/nacionalismo/portugueses. Discordo, entendo que deve discordar-se disto. Mas não me parece que a expressão deste ponto de vista, reaccionário e trôpego, constitua uma ofensa ou uma incitação ao ódio em termos tais que se justifique uma intervenção repressiva do Estado. É provável que os donos do cartaz se expressem ofensivamente e com ódio quando falam entre si. Não se atreveram a tanto. Por isso o Estado não deve intervir, não tem por onde intervir. A não ser que achássemos que o Estado deve intervir repressivamente perante meras opiniões (isto é, opiniões que, embora injustamente desfavoráveis para certas pessoas ou contrastantes com interesses tidos por legítimos, não passam disso). O Estado não tem de tomar conta do (mero) debate.

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