31.8.08

Terapia da fala

Não há muitas palavras mais feias na língua portuguesa do que a palavra palavra.
Debruçar-me agora sobre isso entristecer-me-ia para lá do desgosto da contemplação do feio, da gelada hermenêutica dos hiatos, das redundânciazinhas da pequena cidade, ou mesmo das redondezas do conforto que não chega, ano após ano, pela deglutição confiante de hidratos de carbono.

Não havendo tempo de vida para o que não é bom, deixo cair todo o decoro perante as propriedades terapêuticas da fala. Mas não da minha.
Toda a palavra dita é licenciosa, seja o corpo o certo.


2 comentários:

Helena disse...

Já copiei 100 vezes isto:

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Já o copiei 101 vezes.
E então: nem um ventinho? Uma aragem? Uma brisa? Um sopro?

Não falo por mim (quem sou eu) mas pelo soão, o mistral, a nortada, o siroco, o mata-vacas, o khamseen, e todos os alísios.

(que seria de mim sem a wikipedia?...)

Susana Bês disse...

E "vento encanado", Helena?! "Vento encanado" é que é!!