12.9.08

A grande entrevista e as três pequenas pátrias

Terá a pátria futeboleira reparado que a entrevista de ontem à Maria José Morgado foi realmente uma Grande Entrevista?

Será que a pátria provinciana reparou quem dava a entrevista que a Maria José Morgado dava?

Será que a pátria não-provinciana reparou no que a Maria José Morgado deu à pátria na entrevista?

Eu ensaio respostas. Respectivamente:
Duvido que a pátria futeboleira tenha reparado que a entrevista de ontem à Maria José Morgado foi realmente uma Grande Entrevista.
A entrevista foi futebolística a menos, de várias maneiras. Não se vislumbraram equipas rivais e houve mesmo blasfémias ao desporto-rei (e viva a república!).
A recusa, desde logo lexical, de adoptar uma posição em contendas malformadas deve ser caso para que a entrevista seja colocada definitivamente fora de campo... Cartão vermelho a quem se tresmalha!

A pátria provinciana, por seu lado, não deve ter dado caracol por quem dava a entrevista que a Maria José Morgado deu.
Houve palavras esdrúxulas a menos, frases simples a camuflar ideias complexas (em vez do contrário habitual) e a ausência dos sinais exteriores de respeitabilidade (entenda-se, de poder social, cuja fórmula mais corrente é aquele trejeito de má digestão de quem se toma por respeitável porque pode). Além disso, realmente, ela é quê?... Procuradora-Geral Adjunta? ah pois, "Adjunta..."
A pátria não-provinciana sabe que a Maria José Morgado está cada vez mais parecida com a Paula Rego, que por sua vez tem sucesso lá fora. E a coisa fica mais ou menos por aí.
O que eu espero é que ontem alguém que se sente impotente perante o seu município, a sua máquina administrativa, o seu governo, o seu assaltante, o seu bruto particular, alguém que sente a fragilidade da existência, alguém que sabe junto aos botões o que está certo e o que está errado, mas que sabe também que não tem a mínima chance de se sair bem se se dispuser a enfrentar as formas de prepotência, marginais ou instituídas, que habitualmente nos esmagam, o que eu realmente espero é que alguém assim tenha assistido, como eu, com espanto silencioso e reverente, à grande entrevista da Maria José Morgado.

3 comentários:

Moira disse...

Eu vi e ficou-me no final uma sensação de impotência na luta contra um "regime instituído" de normas e leis incompletas ou mal construídas. Sei lá...
Gostei a entrevista e acho que a mulher tem força, pena que não possa remar contra a maré.

anauel disse...

Não vi, mas já vi outras em tempos idos e sei do que falas quando falas de MJM.


Agora a do «bruto particular», ui, isso sim, é do melhor... Muito bom, mesmo. Como sei do que falas...

Anónimo disse...

Confesso que não vi como não vejo a maior parte das grandes ou pequenas entrevistas em que as perguntas (quase) nunca têm a capacidade de nos conseguir as respostas que precisamos ouvir. Gostei do seu texto, cumprimentos.