
Javier Bardem está a tornar-se um caso sério e está tudo à mostra numa entrevista que dá ao NYTimes.
Foi bonito vê-lo no limiar do pudor, ou talvez da auto-defesa, no mínimo esgar que lhe escapa quando se refere à sua relação com o psicopata que interpreta no filme No Country for Oldmen. Eu achei que o compreendia ao milímetro, a esse psicopata, e se isso acontece é porque Javier Bardem o compreendeu ainda melhor. Mas compreendo também que explicar tudo isso com todas as letras seria uma insensatez.
Também achei interessante a maneira como descobriu que queria ser actor (fardado de caqui, em passeio pelo jardim zoológico, com o pai, dá-se conta de que estava a encarnar uma personagem e que isso era tudo o que lhe sabia melhor) ou como passa pelas vantagens de ver o All that Jazz aos seis anos.
Um destes dias há-de chegar cá o último Woody Allen -Vicky Cristina Barcelona, também aqui - e antecipo que o alvoroço vai ser grande. Parece que é a primeira vez que Woody Allen se aventura com uma personagem masculina que não vive angustiada com a sua própria virilidade e não se coíbe de explorar essa linha de sensualidade esplêndida e fluída com a ajuda de muito belos actores (e actrizes), plantados com um grão de loucura em Espanha.
Antes que os rapazes do povoado se passem com as curvas, contra-curvas e viravoltas do filme, e as meninas da aldeia reforcem os sortilégios de poedeiras eternamente ameaçadas, e que se assista mais uma vez à repetição estafada da ideologia do gabiru saltitão como condenação genética de alguns, ou maldição evolutiva de todos-eles; antes que pareça que se quer o que afinal ninguém quer, fica aqui o que o sexy one, himself, tem para dizer: que quando viu o guião só viu a parte dramática - as dificuldades de um homem que é desejado por três mulheres - e não a parte cómica. É por isso que Javier Bardem é grande e um grande actor.
(tudo bem, os homens choram, já se sabia, e até pode ser sempre bom recordar; mas onde fica o quarto, afinal? )
1 comentário:
Excelente actor. Ninguém sabe onde começa um e acaba o outro (onde começa o actor e acaba o Bardem ou ao contrario). Mas isto é uma apreciação pessoal, muito se sabe que Bardem é um óptimo actor mas pouco se sabe dele.. do Bardem.
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