O líder em exercício do PPO (Principal Partido da Oposição) propõe uma "boa estratégia de comunicação".
É um upgrade notável na habilidade política até agora demonstrada pelos não-apoiantes de Ferreira Leite. Repisar a crítica ao Silêncio, ou procurar eclipsá-lo por ilusionismos de pendor sazonal é coisa para políticos bricoleurs.
Aqui assiste-se simplesmente ao exercício público, retoricamente poderoso, do dom da Visão (como em visionário...), que é um dom essencial dos políticos a sério. Que é apresentado em registo de quem não vem senão por bem, na confiável e neutra ambiência da dita universidade de Verão, e acaba apontado, na maior compostura, ao patamar mais desconfortável da actual gestão partidária. Obrigando, consequentemente, a comparar a angústia do nada, ícone de Ferreira Leite, com o morno raio de sol da esperança plantado nos nossos corações por um Passos Coelho cívico e educado.
Fino e demolidor este upgrade realizado no discurso partidário pelo um-dia-no-futuro (julgo que ainda terá de estagiar pelo menos uma legislatura) primeiro-ministro.
Com algum sentido de oportunidade, mas, no essencial, só para disfarçar - ou se não é, poderia sê-lo -, propõe também um Estado, sei lá, estás a ver pá, diferente.
Também é um upgrade relativamente às funções do Estado tais como apresentadas por Ferreira Leite. Excluindo os pontos em que se aproximou do PG (Partido no Governo), o único dossiê relativo a funções do Estado, conceda-se, em que a actual líder formal demonstrou possuir conhecimento de tomo e posição definida foi, se bem me lembro, a morigeração dos costumes.
Digo isto tudo com um certo desgosto porque, quanto ao mais, até gostaria de ter aí uma primeira-qualquer-coisa que aparecesse de vez em quando com um neto ao colo, fralda de bolsar pelo ombro. Mas esse upgrade não parece ser para já.
2 comentários:
Muito, muito bom. Do domínio do imperdível. Oxalá te linkem a torto e a direito.
Io, linkaste-me tu. Obrigada!
Por agora, só isto. Volto domingo.
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