Dou-lhe razão em boa medida, João. Li defeituosamente, subvalorizando a referência ao crescimento económico, o texto que cito. Contudo, com uma pequena ablação, mantenho a ideia: More women in government [...]: studies show that women are more likely to spend money on improving health, education, infrastructure and poverty and less likely to waste it on tanks and bombs.
(continuo) Pretendia, sim, sublinhar a influência das mulheres no sentido das decisões políticas.
Há uma vertente deste assunto que não tem particularmente a ver com os direitos (com a sua consagração formal), nem com a eficácia da sua consagração, isto é, com a efectiva possibilidade do seu exercício. O ponto que estou a pretender focar coloca o assunto (também? prioritariamente?) no plano do interesse da comunidade em geral.
A medida é, por outro lado, em qualquer caso, de carácter pragmático, junto-me à Abrunho.
Concordo com o João Pinto e Castro. Este e qualquer argumento que se ponha a dizer que as mulheres devem ser admitidas em determinado por causa do instinto maternal só dão razao aqueles que estiveram contra as quotas. Dispenso esse tipo de feminismo. A Susana já aqui apresentou boas razoes para haver contas - e também há boas razoes para as nao haver. (Aconselho-a a leitura de alguns textos do meu blogue a respeito desta visao das mulheres enquanto seres diferentes, nomeadamente os de Março 2006.
Eu quando li o poste da Susana nao pensei em feminismo. Pensei mesmo em ser-se pragmatico. Discutirmos a mulher na sociedade em que vivemos, aqui Portugal, Europa, nao é o mesmo que discutir a mulher noutras sociedades. Esta é esta. As organizaçoes que tentam ajudar populacoes em Africa ou na Asia sabem bem que o dinheiro e os esforcos serao mais eficientemente aplicados se apostarem nas mulheres. Aqui nao se esta a mandar conversa fora. Está-se a melhorar as condiçoes de vida e, até, a longevidade das pessoas. Comparativamente a isto o feminismo em "europes" é diletante.
Os direitos das mulheres. As mulheres. Eu penso e sinto que as mulheres sao diferentes dos homens, sendo que essa diferença está baseada nas expectativas que a sociedade poe nelas e porque biologicamente estamos equipadas para sermos maes. Deem as voltas que quiserem, façam o pino e trapezismos. A isto nao há volta a dar-lhe, nem devia ser para isso que se luta pelos Direitos das Mulheres. Para mim a luta é dar 'as mulheres mais facilidades para que elas possam conjugar a maternidade com outras vertentes da vida. O resto talvez, espero eu, virá por acréscimo. O homem parece querer ser mais pai presente, o que é maravilhoso e cá para mim, numas geraçoes já se poderá, sem celeumas, dizer que o homem e a mulher pouco se distinguem em termos dos sentimentos hoje geralmente aplicados aos sexos. Eles vao tambem ser uns maternais e elas vao tambem ser, sei lá, obsessivas? OOPs. Preconceito meu? :-)
As quotas nao me agradam, mas penso que sao necessarias em certos casos para ir contra um certo compadrio, que caso contrário, muito dificilmente é quebrado. Assim, durante uns tempos, faz-se cura choque.
Sabine, sem prejuízo da recomendação de leitura, que não tive ainda oportunidade de fazer, quero referir-me a esta sua frase: "qualquer argumento que se ponha a dizer que as mulheres devem ser admitidas em determinado por causa do instinto maternal só dão razao aqueles que estiveram contra as quotas" Não encontrará em nenhuma justificação apresentada por mim para a intervenção política ou para a consumação da cidadania das mulheres o "instinto maternal" (sou muito desconfiada desses artefactos conceituais oitocentistas). Encontra, sim, uma sustentação de que o "ser humano de referência" tem o sexo tanto no masculino, como no feminino. E neste não menos que naquele. Logo, a circunstância biológica da condição de fêmea, nos humanos, está (também) no núcleo da ideia de indivíduo como "sítio" de fundamentação das escolhas políticas. Quero dizer,o indivíduo fêmea não é uma subcategoria, qualquer que seja o conteúdo do género. Neste aspecto, volto a alinhar com a Abrunho.
Por outro lado, a frase que cito estabelece, sim, uma ligação entre mais mulheres no "governo" e o sentido de decisões políticas ("studies show that women...spend more money... " - o argumento é apresentado em termos económicos´- spend more money - mas só ganha sentido se isso for tomado como sinónimo de valorização de intervenção política nas áreas em que se está a gastar mais, de outro modo, a frase seria totalmente absurda).
No entanto, o motivo pelo qual isso acontece não é, no texto, minimamente objecto de especulação (e, por isso, também, não pode dizer-se que seja o "instinto maternal"). Fica em aberto o motivo. Pode acontecer que essa propensão constitua, simplesmente, um comportamento "consoante" o género socialmente construído. Mas ainda assim isso não seria motivo para atacar as quotas, tanto mais que está por demonstrar que o comportamento consoante o género, no plano da decisão política, tende necessariamente a reproduzir o género; não tenho isso como nada certo, tal é a porosidade do género construído; pessoalmente acredito que o género socialmente construído, impondo um modelo existencial, também afina a inteligência, a sensibilidade e a visão para certos lados e isso acaba por se espelhar, sendo outrossim valioso. Ou seja, mesmo que a ligação verificada (e não "prescrita", e não "proclamada onticamente") releve do comportamento consoante o género, isso parece-me ser ainda socialmente benéfico.
Isso é assim qualquer que seja o conteúdo socialmente menorizado de um género atribuído com base nessa condição básica de se nascer macho ou fêmea, cujas diferenças específicas, aliás, a neurobiologia e a psicologia evolutiva se afadigam ainda incessantemente em estudar, pelo que não é possível, com rigor, estabelecer (quaisquer!, mas seguramente nunca também a “igualdade”, que não releva da "natureza", mas da política ) axiomas no discurso político com base na diversidade ou unidade da condição física, linha construtiva que, aliás, deve ir na enxurrada com o cientismo. E em qualquer caso, respeitante à especificidade ou não da intervenção das mulheres (estas que somos, temos, criamos ou quaisquer outras) na política: não tenho a questão das quotas como uma questão essencialmente “corporativa”.
Gosto do seu blogue, embora não partilhe muitas das suas ideias. Vou colocá-lo na minha barra lateral. Com os melhores cumprimentos, Fátima Cordeiro (Sabine)
12 comentários:
Salvo o devido respeito, parece-me uma perversão subordinar os direitos das mulheres à sua eventual eficácia económica.
João Pinto e Castro
neste caso é somente pragmatismo
Dou-lhe razão em boa medida, João. Li defeituosamente, subvalorizando a referência ao crescimento económico, o texto que cito.
Contudo, com uma pequena ablação, mantenho a ideia:
More women in government [...]: studies show that women are more likely to spend money on improving health, education, infrastructure and poverty and less likely to waste it on tanks and bombs.
(continuo)
Pretendia, sim, sublinhar a influência das mulheres no sentido das decisões políticas.
Há uma vertente deste assunto que não tem particularmente a ver com os direitos (com a sua consagração formal), nem com a eficácia da sua consagração, isto é, com a efectiva possibilidade do seu exercício. O ponto que estou a pretender focar coloca o assunto (também? prioritariamente?) no plano do interesse da comunidade em geral.
A medida é, por outro lado, em qualquer caso, de carácter pragmático, junto-me à Abrunho.
(continuo ainda)
Agradeço a chamada de atenção, João!
Concordo com o João Pinto e Castro. Este e qualquer argumento que se ponha a dizer que as mulheres devem ser admitidas em determinado por causa do instinto maternal só dão razao aqueles que estiveram contra as quotas. Dispenso esse tipo de feminismo. A Susana já aqui apresentou boas razoes para haver contas - e também há boas razoes para as nao haver.
(Aconselho-a a leitura de alguns textos do meu blogue a respeito desta visao das mulheres enquanto seres diferentes, nomeadamente os de Março 2006.
Eu quando li o poste da Susana nao pensei em feminismo. Pensei mesmo em ser-se pragmatico. Discutirmos a mulher na sociedade em que vivemos, aqui Portugal, Europa, nao é o mesmo que discutir a mulher noutras sociedades. Esta é esta. As organizaçoes que tentam ajudar populacoes em Africa ou na Asia sabem bem que o dinheiro e os esforcos serao mais eficientemente aplicados se apostarem nas mulheres. Aqui nao se esta a mandar conversa fora. Está-se a melhorar as condiçoes de vida e, até, a longevidade das pessoas. Comparativamente a isto o feminismo em "europes" é diletante.
Os direitos das mulheres. As mulheres. Eu penso e sinto que as mulheres sao diferentes dos homens, sendo que essa diferença está baseada nas expectativas que a sociedade poe nelas e porque biologicamente estamos equipadas para sermos maes. Deem as voltas que quiserem, façam o pino e trapezismos. A isto nao há volta a dar-lhe, nem devia ser para isso que se luta pelos Direitos das Mulheres. Para mim a luta é dar 'as mulheres mais facilidades para que elas possam conjugar a maternidade com outras vertentes da vida. O resto talvez, espero eu, virá por acréscimo. O homem parece querer ser mais pai presente, o que é maravilhoso e cá para mim, numas geraçoes já se poderá, sem celeumas, dizer que o homem e a mulher pouco se distinguem em termos dos sentimentos hoje geralmente aplicados aos sexos. Eles vao tambem ser uns maternais e elas vao tambem ser, sei lá, obsessivas? OOPs. Preconceito meu? :-)
As quotas nao me agradam, mas penso que sao necessarias em certos casos para ir contra um certo compadrio, que caso contrário, muito dificilmente é quebrado. Assim, durante uns tempos, faz-se cura choque.
Sabine, sem prejuízo da recomendação de leitura, que não tive ainda oportunidade de fazer, quero referir-me a esta sua frase:
"qualquer argumento que se ponha a dizer que as mulheres devem ser admitidas em determinado por causa do instinto maternal só dão razao aqueles que estiveram contra as quotas"
Não encontrará em nenhuma justificação apresentada por mim para a intervenção política ou para a consumação da cidadania das mulheres o "instinto maternal" (sou muito desconfiada desses artefactos conceituais oitocentistas).
Encontra, sim, uma sustentação de que o "ser humano de referência" tem o sexo tanto no masculino, como no feminino. E neste não menos que naquele. Logo, a circunstância biológica da condição de fêmea, nos humanos, está (também) no núcleo da ideia de indivíduo como "sítio" de fundamentação das escolhas políticas. Quero dizer,o indivíduo fêmea não é uma subcategoria, qualquer que seja o conteúdo do género. Neste aspecto, volto a alinhar com a Abrunho.
Por outro lado, a frase que cito estabelece, sim, uma ligação entre mais mulheres no "governo" e o sentido de decisões políticas ("studies show that women...spend more money... " - o argumento é apresentado em termos económicos´- spend more money - mas só ganha sentido se isso for tomado como sinónimo de valorização de intervenção política nas áreas em que se está a gastar mais, de outro modo, a frase seria totalmente absurda).
No entanto, o motivo pelo qual isso acontece não é, no texto, minimamente objecto de especulação (e, por isso, também, não pode dizer-se que seja o "instinto maternal"). Fica em aberto o motivo.
Pode acontecer que essa propensão constitua, simplesmente, um comportamento "consoante" o género socialmente construído.
Mas ainda assim isso não seria motivo para atacar as quotas, tanto mais que está por demonstrar que o comportamento consoante o género, no plano da decisão política, tende necessariamente a reproduzir o género; não tenho isso como nada certo, tal é a porosidade do género construído; pessoalmente acredito que o género socialmente construído, impondo um modelo existencial, também afina a inteligência, a sensibilidade e a visão para certos lados e isso acaba por se espelhar, sendo outrossim valioso.
Ou seja, mesmo que a ligação verificada (e não "prescrita", e não "proclamada onticamente") releve do comportamento consoante o género, isso parece-me ser ainda socialmente benéfico.
Isso é assim qualquer que seja o conteúdo socialmente menorizado de um género atribuído com base nessa condição básica de se nascer macho ou fêmea, cujas diferenças específicas, aliás, a neurobiologia e a psicologia evolutiva se afadigam ainda incessantemente em estudar, pelo que não é possível, com rigor, estabelecer (quaisquer!, mas seguramente nunca também a “igualdade”, que não releva da "natureza", mas da política ) axiomas no discurso político com base na diversidade ou unidade da condição física, linha construtiva que, aliás, deve ir na enxurrada com o cientismo.
E em qualquer caso, respeitante à especificidade ou não da intervenção das mulheres (estas que somos, temos, criamos ou quaisquer outras) na política: não tenho a questão das quotas como uma questão essencialmente “corporativa”.
Gosto do seu blogue, embora não partilhe muitas das suas ideias. Vou colocá-lo na minha barra lateral.
Com os melhores cumprimentos,
Fátima Cordeiro (Sabine)
Muito agradecida, Fátima.
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