Chamava-se Urso. Era um pastor, um pastor alemão, um cão. Espantou a família durante oito anos e depois começou a envelhecer. A maleita enfraqueceu-lhe até à imobilidade as patas traseiras. Arrastava-se, inteligente como sempre, olho húmido só um pouco vidrado. Era a indocilidade passiva da matéria, que dores não tinha. A família arranjou-lhe uma cadeira de rodas. Uma cadeira de rodas própria para um cão, entenda-se. Na nação dos cães, a que pertencia por direito de sangue e quejandos, não seria a sua canidade tão deferida. É provável que ele estivesse consciente disso.
1 comentário:
com a idade atinge-se a insanidade infantil, não a obtusidade
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