8.12.06

Sobre rapazes de mentes magníficas muitos anos depois

Pablo Picasso. Maquette "Minotaure". 1933.
Alguns rapazes adoptam figuras e formas bizarras e é sobre elas que depois transportam os sinais das suas mentes magníficas. Juntam-se, por exemplo, três ou quatro. Ajuntam-se em torno de uma roda de barriguinhas redondas, que eles montam na giga, gaiatos ainda e prontos à bravata, às cavalitas sobre o que outrora teriam sido colunas, numa nuvem do tropel contínuo dessas mentes que os possuem e velam por eles e continuam a brilhar. Os olhos lumem, tal e qual como antes, ou mais agudos ainda. Interceda de alguma nova dobra ou pela liana de pêlo surreal um fumo ligeiro, um véu humilde, uma discreta declaração de que o corço, o potro fúlvido já não está lá, não lhes faz diferença de monta. É guerra que não perdem. O animal partiu mas o esplendor ainda é o aroma alterno aos cheiros adocicados já tão pouco vegetais. Seja sapuda e vermelha a língua, brilhe, empastelem-se as palavras, um cicio não eréctil esborrache as sílabas moles de frases encurtadas, babem-se pelas meninas e passem a nu o strip das amadurecidas obtusamente em denial, são ainda belos animais mansos em pasto. A ternura lúbrica que inspiram.

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