5.7.07

Livro urgente. DOIS

A Relógio d'água havia de arranjar uma imagem melhor...

A cada dia que passa este livro me parece mais urgente, mais cheio e claro. Infelizmente a encadernação é infinitivamente mais perecível que o infinitamente inacreditavelmente lúcido e agudo olhar de Hannah Arendt. Tenho o livro comigo há quatro anos e está desfeito, manchado, marcado, atravessado de marcadores, de flores secas que mancham as páginas, de tiras de chocolates, bilhetes vários, vestígios de amores de todas as cores em e-mails, sms e outros meios telemáticos. Há folhas que estão estragadas por um salpico de água do mar e há estilhaços cortantes por toda a parte. Fora isso as folhas estão virgens. Não há vestígio de traço, sublinhado ou rabisco, coisa rara. A ascensão e queda do homo faber e o labor, em si metabólico, sobrevivencial e confinante, glorificado, promovido à mais alta posição entre as capacidades do homem, (...), fazendo da vida, valor em si mediocremente relegado para o meio do Decálogo, um bem supremo supremamente supremático. E nulo. Estou a falar de A condição humana. Acho que o livro não poderia mesmo ter outro título.

Sem comentários: