9.7.06

O que se faz #5. Costura-se a voz

Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem

falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme

("Poema I" da Luiza Neto Jorge)

1 comentário:

Filipe disse...

pertinente a palavra que sangra, aspera dor, ausente de angustia, mas plena de rétotica