Ando para aqui a puxar pela memória a ver se me lembro de algum caso em que um político à proa tenha sido tão escrutinado em público a propósito de aspectos tão corrosivos da sua hombridade. Ocorre-me um caso, o que suscitava profundas dúvidas sobre a fidelidade conjugal num casal altamente ministeriável (e não, não estou a falar de Sá Carneiro).
No caso, essa película de opiniões públicas que envolve os indivíduos e cujos sinais permite assinalar-lhes a correspondente categoria do merecimento social, tem sido desafiada em dois dos pontos mais sensíveis da respeitabilidade lusitana: a lídima masculinidade e o índice de casta. Que é como quem diz - literalmente - o tipo é maricas e nem é dótor (ou o seu Ersatz, ingenheiro).
Curiosamente, em ambas as situações deste caso - será paranóia minha? - andava por aí, disponível para o contraste, um campeão da testosterona e da respeitabilidade académica, a tal ponto que esteve para ser reitor da mesma instituição que passa certidões aos domingos.
O que é becas de giro é que isto passa-se no país em que se trata os subalternos pelo nome próprio, em que não se separa o lixo, em que a malandrice fiscal é um índice de inteligência, em que ninguém quer um preto para neto, em que a curva da barriga faz prova do índice de deriva emocional da casta masculina dominante, em que há putos de cinco anos que não sabem as cores e nunca viram um livro, em que se diz "desculpe" em vez de dizer "lamento", em que as excelentes leis que copiamos da França, da Alemanha e da Itália são sempre gestos de despotismo esclarecido, tanto estão afastadas de exigências clamadas pela sociedade civil, demasiado ocupada com a hombridade do umbigo para levar a sério estas puerilidades.
É bom, claro, submeter os políticos a escrutínio. Mas também se deve escrutinar o critério do escrutínio.
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