Ainda aprendi a bordar de bastidor, embora isso fosse mero resultado de uma intenção para me manter ocupada durante as férias escolares, abundantes muitos dias aos das excursões estivais familiares, numa altura em que, conjecturo, terei começado a ostentar aquele olhar ligeiramente lascivo das meninas de dez anos. Passei, pois, pelo bastidor, que é aquele aro em que se estica o tecido, para realizar o ponto cheio, e antes disso pelo ponto cadeia e pelo ponto pé-de-flor, o primeiro.
A minha mestra foi a primeira vegetariana que conheci. Era vegetariana, idosa e solteira. Falava pouco, mas era gentil e exacta. Uma das primeiras coisas que aprendi com ela foi que qualquer pedaço de pano, olhado bem de perto, é uma teia de fios. Existem poros entre esses fios, que se tornam visíveis com uma observação focada. Podemos então seleccionar os fios que quisermos e, com a agulha, modificar a estrutura do pano.
Isto é um post sobre a porosidade. Qualidade que abrange a política, os indivíduos e até a minha conta bancária.
Yue Minjun, How are you Vermeer?. 2000
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