17.1.07

That´s all folks! (longamente aditado)

Gerhard Richter, Helen. 1963
Por aqui dá-se por concluída a instalação argumentícia teórico-fundamentalista e nihilpragmatática da IVG. A todos os que me sinalizaram, obrigada por terem detectado o meu esforço para tocar nos pontos decisivos. A todos os que me tresleram, obrigada por me permitirem identificar modos expressivos susceptíveis de melhoramento. A todos os que me vilipendiaram, obrigada pela inequívoca confirmação da minha pontaria.
Siga, pf, a campanha com os seus narizinhos de cera.

Aditamentos:
1 – O PACOTE
Por ordem cronológica, do post mais recente para o mais antigo, o "pacote postal" em questão é constituído por:
- Mulheres e tubos de ensaio - embriões há muitos e há embriões de primeira e de segunda; a posse pública do corpo fecundo
- A importância de não se chamar Santoro ou os paradoxos da-vid'-umana - absurdos da posse pública do corpo fecundo; embriões há realmente muitos
- "Fazer um aborto" - é uma expressão corrente; apesar do esforço simbólico em sentido contrário, as pessoas sabem que fazer um aborto não tem mal; o corpo fecundo reclama-se
- Filhos são entidades únicas - parâmetros do infortúnio (ou de felicidade)
- Embriões são entidades descartáveis - embriões há muitos, mas mesmo muitos, mesmo
- Muchas gracias - ou o "sim" a reboque da argumentação do "não"
- Entidades descartáveis - (Id)entidades - (obiter dictum); da vid'-umana; coisas da individuação (indivíduos não há muitos, há só um)
- Saddam e o aborto. Um exercício cru - da vid'-umana; a tristeza é a emoção com que se reage ao infortúnio, enquanto a repugnância é a emoção com que se assinala o mal.

2- A CONCLUSÃO
Dei por concluída (tanto quanto avisto) a argumentação sobre o assunto por dois motivos: embora eu considere que os meus pontos de vista sobre a questão são partilhados efectivamente pela maioria das pessoas, não obstante a espessa camada simbólica de insistente re-enunciação e reformulação por parte da ICAR&Associados (aqui recordo Boaventura Sousa Santos, mencionando a perícia desse organismo em séculos e séculos de racionalização do absurdo), estou perfeitamente ciente de que o registo expositivo em que os apresento está longe de corresponder a uma defesa low profile do "sim", que vem sendo veementemente apresentada pelos gurus da táctica como condição de vitória no referendo. Inclino-me perante quem sabe. Entretanto, o que queria dizer, está dito. Limito-me à decisão de não me repetir. E o que quis dizer, fica dito.

3- OS AGRADECIMENTOS EM ESPÉCIE
Agradeço em particular à Sara Monteiro, comentadora no Quase em Português, no Timshel e no Dragoscópio - sempre airosa, fresca e perfumada, é certo, mesmo quando letal, um autêntico Bond feminino a quem não falta um viçoso pastor e um ciciar pigmaliónico - várias intervenções rectas, benevolentes e corajosas.
Assinalaram os esforços argumentativos de um ou mais posts deste pacote, com links nos seus blogues, e por isso lhes agradeço,
o Lutz (bis), a Shyznogud (bis), o Luís, a MIP, o Henrique, o JPN e a a Srp; também assinalaram, manifestando discordância, o Timshel, o Fernando (bis) e o Pedro.
O "não" teve também a amabilidade de reagir mais visceralmente. O Orlando comparou-me a um exquisite carpaccio de cavalo; o Dragão defendeu-se denodadamente, embora um pouco atabalhoado, desta Barbie explosiva que subscreve, ao som das interjeições do Carlos. Da parte dos comentadores do "não" em modo de desmando, a fartura vai dos "teóricos de vão de escada em supetões indignados" (obrigada João!) a criativos de estimulantes jogos de incidência anatómica, que anseio por experimentar.

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