17.6.07

O regime da coisa

Infelizmente, a sociedade civil, em Portugal, não mete medo a governante nenhum. Ao contrário dos lobbies, que são - é preciso dizê-lo? - uma coisa muito diferente. Mas uma sociedade civil que defende, antes dos seus interesses particulares, o regime, ou seja, o bom funcionamento das instituições, a transparência, a responsabilização dos seus agentes e as liberdades cívicas, essa não existe.



Que os deuses, com a ajuda dos juízes e dos jornalistas (abençoai-los também!), mantenham nunca para pior a classe política!
Pelo menos enquanto o país não toma conta do regime.
Se é que chega a tomar.

4 comentários:

Luis disse...

Não sei se concordo. A sociedade civil a tomar conta do país é a pior das distopias. Mas isso não torna mais aceitável a classe política.
Oh mas que comentário tão sério e tão chato.
Foi para isto que se abriram as caixinhas?

Susana Bês disse...

A sociedade civil a tomar conta do regime, do regime. Não tem distopia. Exercer as liberdades e reclamá-las é uma maneira de tomar conta do regime. Compreender o funcionamento da coisa e levar a sério as regras da transparência e da legitimidade fazendo comentários e perguntas, também é tomar conta do regime. Que se diz democrático etc etc (reconheço a fragilidade dos etc).
Mas é verdade que quando se diz "regime" a coisa não fica muito simpática. O Lutz não devia saber que um regime é quase sempre uma coisa que está ali, é "o outro" regime, a velha senhora, o caruncho. Nunca estamos muito confortáveis com a palavra. E regimen já nem se diz, diz-se dieta, que também é outra coisa. Embora se pudesse falar da dieta democrática, parece-me.
Foi, sim senhor, para isto que se abriram as caixinhas. Fazer caixinha das caixinhas é pior que regimen. Além disso, permite encontrar-te também aqui. Lucky me.

Lutz disse...

Usei a palavra "regime" intencionalmente, bem ciente da sua conotação depreciativa. Fi-lo para resgatar o seu valor objectivamente neutro - "regime democrático", "regime autoritário" - do abuso que os detractores do regime democrático de Portugal dele fazem.

Susana Bês disse...

Então, Lutz, talvez devesses mudar o nome do blogue. Que tal "É mesmo em português"?