No dia 21 de Janeiro de 2006, a véspera, o NYTimes assinalava a morte do Lenine e o nascimento de Balenciaga e de Dior. A palavra efeméride floréce-se-me "au bout des lèvres". Palavra borboleta, tanto mais que aprendo: ephemèron, 'lírio branco, silvestre; animal que nasce e morre no mesmo dia'.
Era a véspera, dizia.Na melhor técnica, é de véspera que se preparam os brioches.
Ou então, começa-se de manhã cedo e prossegue-se até à hora das vésperas, aí entre as 15h e as 18h. Uma hora mais, para finalizações pouco mais que cosméticas, e temos o brioche pronto.
Mas em qualquer caso, é no silêncio recatado, que se faz a si própria a pujante massa do brioche. Créce e créce e créce.
E vai-se lá e dá-se-lhe o abaixamento.
E ela vai, vai e sossegadinha créce e créce e créce...
Recordo que o brioche, cujo produto final é vagamente aparentado ao pão de leite, é a massa politicamente interessante do cardápio pasteleiro, com uma robustez e com uma substância que fazem do papo-seco um faz de conta* insípido.
Ao contrário do ai de jesus das massas lêvedas, a massa do brioche é posta a levedar, até multiplicar o volume, e sucessivamente abaixada pelo menos duas vezes. Nada de calorzinhos a acalentar a acção tu-cá-tu-lá das moléculas fermentadeiras e fermentativas.
O processo será idealmente todo cumprido ao frio e em sossego, mesmo na adega dizia, se bem me lembro, o grande Escoffier.
Silenciosamente, no recato, no fresco. Na véspera. Créce, créce, ó brioche!
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