12.1.06

O enfado enorme

Por superficialidade e distracção - que mais?! - não me tinha apercebido que os tempos iam de júbilos e, cidadã desleixada e tendencialmente relapsa, estava para aqui apudinada a deixar crescer os pêlos nas pernas, a ferrugem nas juntas e o enfado pela vida na pólis.
Isso já me passou, contudo.
Depois de ver o número de sapateado de JPP a tentar disfarçar o bocejo que é Cavaco Silva com a pretensa hipotonia do povo, logo ali repreendido, recuperei da letargia.
Pela primeira vez associei algo de positivo à hipotética vitória de Cavaco: como é que JPP se colocaria nesse quadro? Especializar-se-ia a dourar-lhe a aridez das ideias ou enveredaria por missão apostólica de educar a populaça impensante?! Coelho e cartola ou malabarismo?
Seria triste enfado para JPP, vendo bem, em qualquer das hipóteses.
Também por este motivo, esperemos que Cavaco Silva continue a perder diariamente o seu 1% higiénico nas intenções de voto, que é um modo tão bom como qualquer outro de (continuar a) perder as eleições. Basta chegar à segunda volta.

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