Em nenhum dos 18 distritos de Portugal continental ou na Madeira os alunos
do 9.º ano conseguiram obter uma média igual ou superior a três valores nos
exames nacionais (numa escala de 1 a 5) de 2006. Nem a Matemática, nem a Língua Portuguesa, ao contrário do que tinha acontecido no ano anterior com esta última disciplina.
Vejo poucas pessoas do 9º ano no meu dia-a-dia. Dispenso-as, a essas, de feitos escolares em qualquer disciplina.
As palavras "feito" e "disciplina" explicam porquê, embora possa acrescentar, para explicitude total, que há afecto e respeito e confiança nessa isenção particular.
Afecto, porque são pessoas queridas; respeito, porque me chegam como indivíduos inteiros e íntegros e assim me submeto à interacção com eles; confiança, porque descanso a minha velhice, carência ou doença no mundo operado por tais mentes, corações e mãos.
No entanto, quando leio ou escuto informação sobre o estado da nação juvenil, armo-me de rijas expectativas. Espero saber que lavam os dentes, sabem exprimir-se, estão conectados energicamente com qualquer coisa que não seja um huis clos pessoal ou grupal e usam as suas mentes novinhas em folha para pensamentos ousados e refrescantes, sobre o que muito bem se lhes aprouver.
Por isso fiquei preocupada com a dita notícia do Público. Pareceu-me que havia alguma coisa muito errada com a juventude e com o sistema.
Se não dão uso que se veja (traduzido em resultados escolares) à representação facultada pelo jorro caótico e complexo suportado pela linguagem natural, nem à representação expurgada e magrinha da matemática, que anda esta gente a fazer, que será de nós todos?!
Hoje deparei-me, no entanto, com esta outra notícia bastante contrastante, uma contra-informação poderosa da mensagem de mediocridade, de flacidez colectiva, de ameaça involutiva, de absentismo.
Valia a pena fazer um exercício exaustivo de leitura das imagens sob o mediático leitmotiv "somos um país roído pelo ubíquo Déficit Altíssimo e Profundíssimo" e, na mais jocosa ironia, limpar-se da (d)ox(idad)a maligna bebendo os ares dessa juventude tanto mais magnífica quanto anónima. Não me atrevo fazê-lo por me assistir um vestígio de sensatez a lembrar-me que não posso passar aqui o resto do dia - e, aliás, vou ter de concluir rapidamente, por isso mesmo.
Concluo, em primeiro lugar, reparada a confiança nos mais novos, que os meus canais de informação habituais são uma bodega.
Refiro-me aos telejornais e aos diários que papaguearam os resultados nacionais de português e de matemática do 9º ano e umas tantas outras sandices futeboleiras e politiquentas, distorcendo pela preguiça, pela impreparação e pela vulgaridade, a imagem do país onde vivo. Cobrindo-o de bolor, o seu bolor. Pensando bem, isto é mais uma confirmação que uma conclusão. (Sim, quero, inter alia, que o telejornal passe imagens dos meninos das escolas de alguidar-do-meio e de caracoletas-de-baixo, o que nem sequer é o caso).
Concluo, em segundo lugar, que tenho de aumentar a percentagem de pessoas com menos de 20 anos no meu quotidiano. Já andava a parecer-me que isto não vai lá só com retinol e muita água.
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