Aprendo que o antídoto do sofrimento não é a alegria, não é o prazer. É a dignidade. De súbito entendo os reformados terminalmente sós que se vestem com circunstância e vão aos refeitórios, hieráticos sobre as malgas de alumínio, macios e educados no gesto. E percebo também a importância de uma música, um requiem, uma curva esculpida no momento absurdo da morte ao lado de nós, como formas de declaração da valia da dor, assim a tornando afeiçoada. A estranha realeza na pose dos devastados.
O efeito secundário, a consequência política disso; ou melhor, a importância política deste elemento central da condição humana. Condenados ao sofrimento, resgatados pela dignidade. Fazer por isso.
6 comentários:
A Bês agradece muito em especial porque também tem este post como um dos mais importantes que já escreveu - pela questão tocada, em si mesma, não pelo modo como isso veio a acontecer.
Excelente e importante post.
Obrigado
O Luis tem razão. Há posts que não se comenta porque não temos comentário à altura.
não posso comentar
há não-comentários que valem mil comentários, Lutz e Carla
também fiquei em silêncio...
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