
Fui criada entre gente morigerada e com tento na língua. Recordo, da infância, que a galinha ainda era alguém numa ementa mais cuidada e compunha-se disciplinadamente de carne branca ou de carne escura, nisso se esgotando o léxico da anatomia. Às vezes os senhores, naquela parte adiantada do jantar que se seguia ao desabamento surdo do esmero dos têxteis, da compostura das flores, do alinhamento militarizado dos copos - quando estes, aliás, passavam a xilofone sátiro espalhado pela mesa - usavam uma expressão que arrepiava a pele das senhoras: o belo sexo. Apesar disso, sou pelas quotas.
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