Uma perversão dos tempos que correm quase tão daninha como a universalidade do direito de voto, recentemente revisitada, é aquela leviandade com que se coloca à disposição de qualquer um, numa lógica de igualdades distribuídas à toa, a possibilidade de tomar decisões de natureza pessoal, como se todos os indivíduos dispusessem do background moral, do amadurecimento e da informação necessários para uma decisão ponderada e esclarecida.
Sói lembrar que não. A natureza humana é, infelizmente, assaz imperfeita. Alguns espíritos menos robustos, oh quantos!, claudicam sem rebuço ao primeiro impulso egoísta ou fútil. Outros, outros tantos!, são medularmente incapazes, seja por motivos familiares, seja por herança étnica e cultural, de assimilar de modo responsável qualquer requinte civilizacional. Outros, alguns tantos!, atravessam períodos de turbulência pessoal, como é próprio da vida, que inopidamente comprometem o gozo pleno das capacidades morais.
Acriteriosamente atribuídas e largadas ao desbarato, as liberdades de decisão - precípuos poderes políticos, ainda que prima facie privados - obram para que, enfraquecida já pelo consumo, pelas taxas de divórcio e pela vulgaridade da vida hodierna, a nossa sociedade paulatina e inexoravelmente sucumba às mãos de abortistas, homossexuais, mulheres com buço e objectores de consciência.
A derrocada pode ser prevenida, como testemunha o Lutz, portador de uma objecção de consciência certificada, que quis vir partilhar connosco nesta hora inglória. Atente-se no que ele diz pois não estamos apenas perante uma consciência certificada (como se isso ainda fosse pouco), mas perante uma consciência certificada lá fora!
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