12.2.07

Resultados do referendo.

Durante os comentários da noite, na RTP1, MRS lépido a pular o fosso da derrota para logo se colocar de novo a cavalo na crista (reparo que a expressão, no contexto, não é feliz mas fica assim mesmo). As faces um pouco mais baças, o número já seria esperado, só não se sabia qual seria.
Ou o quase imperceptível ricto facial de AV, no sorriso que deu a sede (no sentido de locus) da verdadeira vitória da noite: o desenho táctico da campanha e a discreta firmeza com que ele foi executado. Um júbilo como o do patologista forense.
Ribeiro e Castro, pesado na pesada declaração política, de expressão franzida, envolto em manchas cor-de-rosa incongruentes, a dar sinais de que o Portugal profundo do país real ainda está de fora do jogo.
Uma senhora magrinha do SIM cuja fragilidade e palidez me mantêm pensativa quando a imagino ao lado da tónica senhora malva que ralhou pelos resultados, no painel televisivo dos negacionistas - como se o caminho da liberdade tivesse de estar do lado de fora, no que é sombrio e regressivo, mutilado e triste.
A impaciência de esperar pela declaração dos vencidos: a da ICAR, que não vai chegar porque a opus é tão rápida como o Marcelo e já está por aí a tentar apanhar todas as pontas que ameaçam soltar-se.
Os rapazes das bandeiras que regressam da refrega, prontos a assobiar para o lado.
A esperança de se romper o gorduroso âmnio da culpa de si como hino nacional.
O brilho histórico e civilizacional que uma dúzia de pontos percentuais consegue irradiar.

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