Daqui. No Mar Salgado perguntava-se há dias pelos moderados. Estão aqui. Estão a usar as suas liberdades também. Contra extremistas da(s) liberdade(s) de (/na) expressão.
Se aqueles cartoons são "o extremo" da liberdade de expressão então ela é bem mais pequena do que eu julgava (imaginava-te maiorzinha, oh liberdade de expressão).
Nenhum "moderado" faz uma manifestação por causa de uns "cartoons". Há aqui uma desproporção evidente mesmo tendo em conta a delicadeza do tema que serviu de mote aos desenhos (mas é lá possível fazer humor sem pisar uma fronteira qualquer?)
Desde que uma manifestacao seja feita pacificamente nao há nada a apontar. O grau das dores e ofensas dos outros nao se julga. A empatia é um sinal de inteligencia, tanto maior quanto o nosso afastamento.
B-Site, penso desta maneira: um "cartoon", lá por ser um desenho, não deixa de poder conter mensagens. Se essas mensagens, postas em palavras, são inaceitáveis, os "cartoons" sê-lo-ão por isso mesmo. Por outro lado, se um "cartoon" desencadeia uma reacção desproporcional (violenta) e por isso injustificada, não é por essa reacção ser injustificada que o "cartoon" deixa de ser (se o for) inaceitável. Em contrapartida, e concordando com a Abrunho, não acho desproporcionada uma manifestação pacífica de protesto contra um "cartoon" que possa ser considerado ofensivo, em particular se o for num grau tão intenso que poderá ser considerado uma forma de crime contra as crenças religiosas (como parece que se vai ver nos tribunais dinamarqueses). Não vejo diferença entre isso e um discurso público ofensivo.
O objectivo de um cartoon é ter piada. Às vezes tem, outras vezes não. Depende do cartoon e de quem o lê. Mas qualquer que seja o tema há sempre alguém que pode ficar ofendido: as loiras, os alentejanos, os pretos, os brancos, os amarelos, os franceses, os ingleses, os gagos, os fanhosos, os judeus, a susana, o daniel, o manel, a maria, uma lista infinita. Não pode ser esse o critério para eliminar uns desenhos e guardar outros.
Eu vejo diferença entre um cartoon e um discurso público ofensivo. O humor precisa das nossas debilidades e sensibilidades para funcionar. É da sua natureza. A mim parece-me importante que nos possamos rir de coisas também importantes.
B-Site, eu estou de acordo com isso, com a importância de poder rir até das coisas importantes, seja através de cartoons ou de palavras. Penso que estaremos também de acordo quanto a outro ponto: se o critério para a aceitabilidade de uma piada (ou de um cartoon) não pode ser apenas, efectivamente, alguém sentir-se ofendido, também é verdade que não serão de aceitar ofensas que se disfarcem de piadas ou de cartoons. É verdade que a linha é difícil de traçar, é. E se alguns dos cartoons caberão no caso de ofensas, não sabemos ainda (vai ser visto pelos tribunais à luz da lei dinamarquesa). Pelo que li sobre, um deles pelo menos (Maomé-terrorista) pode ser.
Mas é sempre claro para mim que ainda que os "cartoons" venham a ser considerados crime pelos tribunais dinamarqueses, isso não justifica a selvajaria com as embaixadas da Dinamarca.
Susana: creio que não fui eu quem perguntou pelos moderados. Mas, como sou um radical da liberdade de expressão, creio que a "resposta" também se me aplica. Eu não gostei do Je vous salue, Marie; mas perdi-me de rir com A Vida de Brian. Não gostei de alguns cartoons; mas achei graça ao do "esgotamento das virgens". Agora: o que é que estes meus gostos têm que ver com a liberdade de expressão dos outros? Nada. Rigorosamente nada. Nem os meus, nem os de ninguém. Por isso é que ela só deve ser impedida quando constitua um crime (e devo dizer que, nesse aspecto, os tribunais europeus são - felizmente - muito exigentes). Antes desse ponto, se os desenhadores não quiserem fazer certas caricaturas, ou se os jornais não as quiserem publicar, óptimo: estão, também, a exercer a sua liberdade. Agora, não podemos é formatar a liberdade de expressão de acordo com as nossas impressões sobre o bom gosto ou o bom senso. De outra forma, a "liberdade" nem era necessária.
PC: aproveitei para fazer um link mais específico para o Mar Salgado.
Quanto ao comentário, convirjo sem reservas com isto: "... achei graça ao do "esgotamento das virgens" [digo eu, Susana, era muito divertido este cartoon]. Agora: o que é que estes meus gostos têm que ver com a liberdade de expressão dos outros? Nada. Rigorosamente nada. Nem os meus, nem os de ninguém."
Com isto que diz e transcrevo agora concordo muitíssimo: "Por isso é que ela [a liberdade de expressão" só deve ser impedida quando constitua um crime (e devo dizer que, nesse aspecto, os tribunais europeus são - felizmente - muito exigentes).
É claro que não podemos formatar a liberdade com base no bom gosto (que coisa será isso?, pergunto eu até).
Susana, só para esclarecer: muito exigentes no sentido de que maximizam a liberdade de expressão e, portanto, reduzem muito o âmbito das normas penais relativas à difamação, injúria, ofensa a religiões, etc. Não sei se este sentido se depreendia do comentário.
9 comentários:
Se aqueles cartoons são "o extremo" da liberdade de expressão então ela é bem mais pequena do que eu julgava (imaginava-te maiorzinha, oh liberdade de expressão).
Nenhum "moderado" faz uma manifestação por causa de uns "cartoons". Há aqui uma desproporção evidente mesmo tendo em conta a delicadeza do tema que serviu de mote aos desenhos (mas é lá possível fazer humor sem pisar uma fronteira qualquer?)
Daniel
Desde que uma manifestacao seja feita pacificamente nao há nada a apontar. O grau das dores e ofensas dos outros nao se julga. A empatia é um sinal de inteligencia, tanto maior quanto o nosso afastamento.
B-Site, penso desta maneira: um "cartoon", lá por ser um desenho, não deixa de poder conter mensagens. Se essas mensagens, postas em palavras, são inaceitáveis, os "cartoons" sê-lo-ão por isso mesmo.
Por outro lado, se um "cartoon" desencadeia uma reacção desproporcional (violenta) e por isso injustificada, não é por essa reacção ser injustificada que o "cartoon" deixa de ser (se o for) inaceitável.
Em contrapartida, e concordando com a Abrunho, não acho desproporcionada uma manifestação pacífica de protesto contra um "cartoon" que possa ser considerado ofensivo, em particular se o for num grau tão intenso que poderá ser considerado uma forma de crime contra as crenças religiosas (como parece que se vai ver nos tribunais dinamarqueses). Não vejo diferença entre isso e um discurso público ofensivo.
O objectivo de um cartoon é ter piada. Às vezes tem, outras vezes não. Depende do cartoon e de quem o lê. Mas qualquer que seja o tema há sempre alguém que pode ficar ofendido: as loiras, os alentejanos, os pretos, os brancos, os amarelos, os franceses, os ingleses, os gagos, os fanhosos, os judeus, a susana, o daniel, o manel, a maria, uma lista infinita. Não pode ser esse o critério para eliminar uns desenhos e guardar outros.
Eu vejo diferença entre um cartoon e um discurso público ofensivo. O humor precisa das nossas debilidades e sensibilidades para funcionar. É da sua natureza. A mim parece-me importante que nos possamos rir de coisas também importantes.
B-Site, eu estou de acordo com isso, com a importância de poder rir até das coisas importantes, seja através de cartoons ou de palavras.
Penso que estaremos também de acordo quanto a outro ponto: se o critério para a aceitabilidade de uma piada (ou de um cartoon) não pode ser apenas, efectivamente, alguém sentir-se ofendido, também é verdade que não serão de aceitar ofensas que se disfarcem de piadas ou de cartoons.
É verdade que a linha é difícil de traçar, é.
E se alguns dos cartoons caberão no caso de ofensas, não sabemos ainda (vai ser visto pelos tribunais à luz da lei dinamarquesa). Pelo que li sobre, um deles pelo menos (Maomé-terrorista) pode ser.
Mas é sempre claro para mim que ainda que os "cartoons" venham a ser considerados crime pelos tribunais dinamarqueses, isso não justifica a selvajaria com as embaixadas da Dinamarca.
Susana: creio que não fui eu quem perguntou pelos moderados. Mas, como sou um radical da liberdade de expressão, creio que a "resposta" também se me aplica.
Eu não gostei do Je vous salue, Marie; mas perdi-me de rir com A Vida de Brian. Não gostei de alguns cartoons; mas achei graça ao do "esgotamento das virgens". Agora: o que é que estes meus gostos têm que ver com a liberdade de expressão dos outros? Nada. Rigorosamente nada. Nem os meus, nem os de ninguém.
Por isso é que ela só deve ser impedida quando constitua um crime (e devo dizer que, nesse aspecto, os tribunais europeus são - felizmente - muito exigentes). Antes desse ponto, se os desenhadores não quiserem fazer certas caricaturas, ou se os jornais não as quiserem publicar, óptimo: estão, também, a exercer a sua liberdade.
Agora, não podemos é formatar a liberdade de expressão de acordo com as nossas impressões sobre o bom gosto ou o bom senso. De outra forma, a "liberdade" nem era necessária.
PC: aproveitei para fazer um link mais específico para o Mar Salgado.
Quanto ao comentário, convirjo sem reservas com isto:
"... achei graça ao do "esgotamento das virgens" [digo eu, Susana, era muito divertido este cartoon]. Agora: o que é que estes meus gostos têm que ver com a liberdade de expressão dos outros? Nada. Rigorosamente nada. Nem os meus, nem os de ninguém."
Com isto que diz e transcrevo agora concordo muitíssimo:
"Por isso é que ela [a liberdade de expressão" só deve ser impedida quando constitua um crime (e devo dizer que, nesse aspecto, os tribunais europeus são - felizmente - muito exigentes).
É claro que não podemos formatar a liberdade com base no bom gosto (que coisa será isso?, pergunto eu até).
Susana, só para esclarecer: muito exigentes no sentido de que maximizam a liberdade de expressão e, portanto, reduzem muito o âmbito das normas penais relativas à difamação, injúria, ofensa a religiões, etc.
Não sei se este sentido se depreendia do comentário.
Sim, entendi assim.
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