A ortografia é o elemento subtil de vigia à gramática, sabendo-se que o pontapé na gramática é a prova irrefutável que desmascara os arrivistas ou parvenus ou novos-ricos quando pretendem infiltrar-se entre os que se encontram naturalmente noutro patamar, onde as pessoas são menos desprezíveis.
Há alguns, é certo, que dão erros por causa de dislexia mas esses casos devem ser tratados à parte; aliás, no contacto com essas pessoas devemos procurar manter presente a ideia de que essas pessoas têm uma deficiência que não lhes deve ser censurada, havendo que tratá-los com a maior humanidade possível, tal e qual como se fossem cegos ou surdos ou mesmo de outra raça mais desfavorecida.
Ainda que seja verdade que "arrivistas", "parvenus" e "novos-ricos" sejam expressões de origem francesa, excepcionalmente não se considera que o seu uso constitua um pontapé na gramática. Tais expressões são tão úteis quanto necessárias para referir quem quer arrogar-se, em sentido ascendente, lugar que verdadeiramente não lhe cabe na escala social.
Trata-se de gente sem diferenciação cultural, sem o menor sentido de cosmopolitismo, muitas vezes ainda cheia de vestígios rurais ou portadores de uma cultura massificada, alimentada por fardos de informação colocados à disposição de todos. As pessoas que mostram semelhante falta de cultura são desprezíveis, como já referi, mas nunca é demais recordá-lo.
A ortografia é um sinal que distingue os cidadãos respeitáveis dos labregos com a mesma clareza com que a utilização de meias brancas distingue o possidónio da pessoa com bom gosto.
Os pais deveriam empenhar-se mais vigorosamente na educação gramatical dos filhos por uma questão de coerência. Pois se têm cuidado em transmitir as regras básicas da boa educação ou em velar pela sua apresentação e vestuário em termos tais que permitirão perceber que eles não foram propriamente criados na Musgueira ou em qualquer bairro de lata, ou mesmo social, seguir-se-ia naturalmente a isso cuidar desses sinais igualmente definidores do nível merecido de consideração social, que são dados pela observância ou violação das boas regras gramaticais.
Portugal é, como se sabe, um país cheio de pobres e encharcado pela classe média-baixa mais tosca e pindérica da Europa.
Ora, este desnível socio-cultural coloca realmente um grande problema. Viver numa sociedade assim é uma luta diária, uma prova de obstáculos entre labregos e possidónios. A luta pelo reconhecimento daquele patamar de diferenciação social em que se baseia verdadeiramente a dignidade social é, sabemo-lo, um tropel de canseiras.
Até nesse contexto nos ajuda a ortografia, na sua vertente de teste de diferenciação, e mesmo de distinção, pronto-a-usar. E assim, lá vamos confirmando que sempre somos merecedores de alguma consideração social, ao contrário dos pobres, dos ignorantes, da gentalha desprezível em geral.
A ortografia é, enfim, o elemento subtil do pontapé na gramática na sua função diferenciadora, com base na qual é medida a consideração social a prestar aos indivíduos. Acho eu de que.
1 comentário:
Mme Susana, e depois quem é que faz vivêr royalmente os ricos da vossa sociadade?Mme é da pura xénofobia ao encontro dos seus cidadôes.
Quem pensa voçê que a vai defendê-la em caso de conflito!Nâo..voçê nunca viu esses velhos a beira de morrer num hospital sem ama.
Mas porquem voçê se toma? Se a famosa clase monastica é composta na sua maioria por bastardos.O Alemâo que se suicidou durante a segunda guerra mundial,quando soube que tinha havido uma transfuçâo,e que o sangue tinha sido dado por um soldado Inglês.Mme quando souber que os médicos Portugueses encontraram o ADN d'um gorila numa mulher no algarve,e que a dispariçâo dos CRO-MAGNON em Portugal talves a faça mudar d'ideias!Encontre outra razâo de se fazer observar Mme
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