O cavaquismo, como leio no neste certeiro post do ...bl_g_xst_, é o sistema em que vivemos:
"A sua ideia central, podemos hoje entendê-lo melhor à distância, era conseguir fazer entrar o país na modernidade sem pôr em causa a sua ancestral tacanhez. Assim, a tradicional estrutura de poder económico-social, articulando sabiamente os pequenos e médios poderes locais com as grandes empresas encostadas à sombra do Estado, foi ciosamente reconstituída com alguns arranjos mínimos. Seria de esperar que a abertura à concorrência externa, as reprivatizações, a expansão do investimento estrangeiro e o grande aumento da escolaridade tivessem conduzido a um crescimento espectacular da produtividade. Nada disso aconteceu."
"A sua ideia central, podemos hoje entendê-lo melhor à distância, era conseguir fazer entrar o país na modernidade sem pôr em causa a sua ancestral tacanhez. Assim, a tradicional estrutura de poder económico-social, articulando sabiamente os pequenos e médios poderes locais com as grandes empresas encostadas à sombra do Estado, foi ciosamente reconstituída com alguns arranjos mínimos. Seria de esperar que a abertura à concorrência externa, as reprivatizações, a expansão do investimento estrangeiro e o grande aumento da escolaridade tivessem conduzido a um crescimento espectacular da produtividade. Nada disso aconteceu."
E ainda:
Claro que achamos (também) que não. Como poderia, se lhe falta a bússola? Como pode, até mesmo, o país perdoar a oportunidade perdida? A Irlanda e a Finlândia, para não ficar por mais perto, mostram, por contraste, quão larga foi a nossa deriva; e a deriva está para durar porque nem sequer vem já a caminho uma geração capaz de forjar a saída do beco que é este sistema desorientado.
É que o cavaquismo como orientação política (coisa que, aliás, fazendo jus à verdade, o próprio tem o cuidado de refutar) é uma deriva.
Uma deriva industriosa mas improdutiva, honesta mas eticamente vaga, laboriosa mas não criativa, empertigada mais que digna, que nos condena sem redenção a vaguear eternamente como cegos, perdidos num estreito beco. Eternamente, não. Só no nosso tempo de vida, concerteza. Apenas durante esse tempo.
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