Naquele tempo as partes pudendas ainda eram orladas de veludo e toda a pele era de cetim. O velcro e os têxteis viriam muito mais tarde.Os cães ainda não tinham sido inventados, pelo que o timshel vivia sossegado.
As cobras eram mansas e alimentavam-se de pêssegos macios , enfim, um frete indescritível.Não fazia frio, não nevava, não doía a nostalgia.
Toda a bicharada era, na verdade, pachorrenta e sedentária, com sinais de obesidade epidémica; a mulher era também paciente e bem nutrida. O homem lá se ia mexendo um pouco mais e mantinha-se tonificado, bem definido.
Mesmo sem cama, dormia-se reparadoramente. Talvez por isso mesmo, por então terem excelente higiene de sono, os bichos-da-seda não andassem ensandecidos por aí (coisas da metamorfose, pela certa).
Até que um dia chegou o papagaio que "dão ze zênetia béme", ele eram dores de cabeça, o bico seco, um arrepio nos verdores das asas. O homem primeiro riu-se, pensando que se tratava de um pato sueco, mas depois do jantar reconsiderou "isto se calhar não tem piada" e sonhou que o cheiro doce das formigas-cadáver restolhava nas asas da passarada.
Cedo na manhã seguinte, era uma segunda-feira cinzenta, o homem arranjou um raminho de cameleira no qual pendurou uma tabuleta: "este papagaio fala inglês e parece estar engripado" e disse à mulher "vou ali e já venho". Mais tarde fiz do homem meu amante e do papagaio meu pisa-papéis.
Sem comentários:
Enviar um comentário