
Recordo-me de ter lido há uns tempos um artigo de divulgação que dava conta de que há uma sensação de prazer associada à censura pela quebra de regras.
Fazendo vista aos meus próprios caminhos interiores, englobei sem custo a ideia: retira-se uma sensação de bem-estar da emissão de um juízo de censura.
Junte-se a isto a disponibilidade para, como o próprio nome sugere, considerar que qualquer regularidade é uma regra (saneando aqui algumas toneladas de tinta corrida sobre a questão) e ... voilà, temos sumariada toda a história da prontidão para dar com o pauzinho a quem se afasta da manada.
Eu acho que para além do sinistro simbolismo classista que empapa a crítica aos pontapés na gramática - que originou a enxurrada de palavras do último post - replica-se atavicamente essa aflição de tresmalho nos ímpetos correctores da ortografia, da pronúncia, da propriedade na utilização das palavras.
E, por tudo isso, eis-me em prazer sublime, ajuizando que é grotesco o escândalo achado na crítica ao pontapé na gramática.
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