29.10.05

Não vejo assim

... isto, dito por Vicente Jorge Silva, em opinião expressa hoje no DN:
Sem pôr em causa a boa-fé de Cavaco, há em tudo isto algo de excessivo e anormal num quadro democrático, mesmo tendo em conta a gravidade da crise portuguesa. Ao rasurar aquilo que é diferente e diverso e apostando numa "união nacional" de gregos e troianos, a candidatura de Cavaco torna excedentário o pluralismo político e ideológico. Finalmente, a hipótese de um triunfo retumbante, logo na primeira volta, acentua o pendor plebiscitário da eleição e obriga o candidato vitorioso - quer ele queira quer não - a assumir o papel de "salvador".
A principal acentuação que vejo é, antes pelo contrário, a do branqueamento do último contacto de Cavaco Silva com o eleitorado - perdeu, lembram-se?
Logo à primeira volta... não foi?
E, assim, o que também creio ver no texto de VJS é um sinal de que foi inteiramente engolida a ideia, favorável a Cavaco Silva, de que o homem vem em graça (por oposição ao burlesco fácil de respigar nas candidaturas da esquerda).
Ora, não vem. Isso é um trompe l'oeil mediático mas parece que pegou.

Não acho, para além disso, que a efectiva adequação de Cavaco Silva para captar votos no bloco central possa, em boa verdade, ser retorcida ao ponto de transformar-se em algo que "torna excedentário o pluralismo político e ideológico".

Não torna, é bloco mediano, apenas.

Insisto na objecção à presidencialidade de Cavaco Silva: aquilo a que alguns já têm chamado "falta de cultura humanista", mas que não refiro dessa maneira porque assim parece que se trata de um supérfluo adereço, de um elemento histriónico dispensável.

Trata-se da falta de bússola, da deficiente perspectivação política, mas de uma política baseada na compreensão da existência individual, da política como instrumento das condições sociais do que um dia por aí chamei o viço do indivíduo.

Está lançado, já se viu, o campeonato das presidenciais. Ora lá vem chegando a camisola, a clube, a competição, o aconchego da manada ... a náusea.

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