
Pois, se calhar o problema é que os outros são reles! E ímpios.
Há que proteger as nossas cidades, flores da civilização, desses bárbaros impenitentes.
Abre-se a porta generosa da hospitalidade aos estrangeiros e é o que é...
Uma coisa assim, inesperada, sei-lá..., ninguém podia imaginar... já não há respeito... essa gente...
9 comentários:
A minha opinião está no Lutz, não vou repetir-me, pois basta ir ao quarto ao lado.
-Quanto á Lusofonia e África tenho pena de me ter atrasado . Fica para a próxima.A guerra colonial obrigou a um aperto de mão sincero entre os povos, exurgando os Estados intermediários.
"ímpios"?
desculpa-me suzana mas vou fazer copy and paste do comentário que lá deixei
"o anti-clericalismo deste blogue vem agora ao de cima (juntamente com a sua eterna obcessão fóbico-compulsiva: o esquerdismo)
acho bem
tudo quanto venha clarificar as águas no sentido de que, por um lado, o cristianismo só pode ser esquerdista (e vice-versa) e que, por outro lado, a direita só se pode fundamentar no ateísmo (e vice-versa) é bom
clap, clap, portanto"
Nunca me pareceu que o RAF fosse anticlerical, mas sim anticatólia.
Ena pá, eu na companhia dos "Blasfemos"...
Conseguiu um verdadeiro prodígio, estimada senhora (ou menina).
E esse Dragão é um bandido, não o poupe!...
Senhor Dragão:
Os Blasfemos é que ficariam bem na sua companhia sempre inspirada e original. Só que, desta vez, deixou-se engolir por um moralismo um pouco ingénuo, mas isso acontece lá de vez em quando mesmo nas melhores estirpes de grifos e dragões... :)
Digo "moralismo" porque a abordagem é baseada na censura ao comportamento individual e digo que é "ingénuo" porque, no caso, o carácter colectivo e espontâneo das investidas de violência fica, na abordagem desse tipo, todo empacotado dentro de uma (pre)disposição desses indivíduos para se portarem mal. Se não se quer ver mais - e esse "mais" é o dado social e colectivo - então isto não se distinguiria de um qualquer outro acto de criminalidade juvenil.
Mas é diferente; isto não é corrente "criminalidade juvenil", pois não?
Timshel:
"Ímpio" pareceu-me uma boa palavra porque, no fundo, o problema é que os malandros são uns "infiéis"; sempre no sentido pejorativo e na medida do discurso que vê onde pendurar conotação negativa nesses termos. ´Habilidades próprias dos discursos chauvinistas e nacionalistas.
Concordo com as raízes cristãs da esquerda.
Mas acho que a direita também pode encontrar raízes no cristianismo; o facto é que alguns acabam por ir para o céu e outros para o inferno o que mostra que Deus, que tudo pode, previu à partida diferentes destinos para as suas criaturas, negando assim a igualdade entre estas - negação esta que é, parece-me, o ponto de partida do pensamento de direita.
"Mas acho que a direita também pode encontrar raízes no cristianismo; o facto é que alguns acabam por ir para o céu e outros para o inferno o que mostra que Deus, que tudo pode, previu à partida diferentes destinos para as suas criaturas, negando assim a igualdade entre estas - negação esta que é, parece-me, o ponto de partida do pensamento de direita."
susana
o "cristianismo" que acabas de descrever desapareceu há séculos (se é que alguma vez existiu...)
Já não há inferno?!
susana
desculpa ir fazer um comentário gigantesco:
"No domingo de manhã, numa cidade do Vermont, no meu último dia na Nova Inglaterra, fiz a barba, vesti um fato, engraxei os sapatos, penteei-me e procurei uma igreja aonde ir. Eliminei várias por razões de que já não me lembro, mas ao ver uma igreja de John Knox conduzi o Rocinante para uma rua lateral e estacionei-o fora da vista, dei ao Charley as minhas instruções quanto à guarda do veículo e encaminhei-me com dignidade para uma igreja de paredes de tábua pintadas de uma brancura ofuscante. Sentei-me ao fundo do imaculado e polido lugar de adoração. As orações foram objectivas, chamando a atenção do Todo-Poderoso para certas fraquezas e tendências não divinas que sei serem as minhas e podia apenas supor que fossem compartilhadas pelos outros ali reunidos.
O oficio divino fez bastante bem ao meu coração e espero que à minha alma. Já havia muito que não ouvia uma tal abordagem. É nosso hábito agora, pelo menos nas grandes cidades, descobrir por intermédio do nosso clero psiquiátrico que os nossos pecados não são realmente nada pecados mas acidentes postos em acção por forças fora do nosso domínio. Não havia tal tolice nesta igreja. O padre, um homem de ferro com olhos de aço temperado e uma elocução semelhante a uma broca pneumática, esclareceu a oração e assegurou-nos que éramos um grupo muito lamentável. E tinha razão. Não éramos grande coisa para começar, e graças aos nossos próprios esforços espalhafatosos vínhamos a escorregar desde sempre. Depois, tendo-nos amaciado, lançou-se num sermão glorioso, um sermão de fogo e enxofre. Tendo provado que nós, ou só eu talvez, não tínhamos nada de bons, pintou com uma certeza fria o que era provável que nos acontecesse se não fizéssemos algumas reorganizações básicas, no que ele não punha muita esperança. Falou do inferno como um perito, não do inferno piegas dos nossos dias moles, mas de um inferno de fogo bem atiçado, aquecido ao rubro-branco, servido por técnicos de primeira ordem. Este reverendo levou-o a um ponto em que podíamos compreendê-lo — um bom fogo de carvão, com muito boa tiragem, e um grupo de diabos de fornalha que põem o coração no seu trabalho, e o seu trabalho era eu. Comecei a sentir-me completamente bem. Há já alguns anos que Deus vem sendo um camarada para nós, praticando o companheirismo, e isso produz o mesmo vácuo que um pai produz ao jogar ao softball com os filhos. Mas este Deus do Vermont importava-se o bastante comigo para se dar a um ror de incómodos, correndo o inferno a pontapé para fora de mim. Deu aos meus pecados uma nova perspectiva. Ao passo que haviam sido pequenos e mesquinhos, sórdidos e preferíveis de esquecer, aquele ministro deu-lhes algum volume, peso e dignidade. Não vinha pensando muito bem de mim mesmo há alguns anos, mas se os meus pecados tinham aquela dimensão, salvava-se algum orgulho. Não era uma criança desobediente mas um pecador de primeira categoria, e ia apanhar essa classificação.
Senti-me tão revivido em espírito que pus cinco dólares na bandeja, e depois, à porta da igreja, apertei calorosamente a mão ao padre e a tantos fiéis da congregação quantos pude. Deu-me uma bela sensação de malfeitoria que durou bem viva até terça-feira. Cheguei a considerar a hipótese de bater no Charley para lhe dar também alguma satisfação, já que o Charley é só um pouco menos pecador do que eu. Fui à igreja todos os domingos, através de todo o país, com uma denominação diferente em cada semana, mas não encontrei em parte nenhuma a qualidade daquele pregador do Vermont. Esse forjou uma religião destinada a durar e não um fóssil pré-cozinhado.”
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