Um exigente exercício espiritual: ler um artigo numa revista estrangeira, motivado pela rebelião (sub) urbana francesa, que narra um caso de sucesso na integração de imigrantes.
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Tudo começou há quarenta anos quando um jovem aventureiro em busca de vida melhor terá dado à costa, digamos assim com liberdades expressivas, àquelas paragens.
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Como não desgostou do que por lá encontrou, chamou a sua gente. Da terra natal até lá, à cidade de acolhimento, acabariam por ir chegando cerca de 8 mil pessoas; a presença destes imigrantes e seus descendentes, hoje em dia, exprime-se em 15% dos habitantes daquela cidade.
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O gosto por festas bem regadas, a partilha da fé católica e o entusiasmo por uma boa futebolada, ora agora jogo eu, ora agora jogas tu, ajudaram a dissipar as fronteiras. A mistura de quotidianos que assim se foi fazendo, acrescia aos do mundo do trabalho, onde os imigrantes iam dando provas de natureza trabalhadeira.
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Passadas quatro décadas de - isto agora sou eu a fazer contas - festas, missas, participação em procissões, partidas de futebol, cumprimentos olá como está passou bem, visitas de uns a outros, crescimento em conjunto, namoricos, compadrios e esforços conjuntos, passadas estas décadas e milhares de episódios de ping pong cultural, o evento da integração consumou-se, coroado de êxito.
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A prova e a medida da integração, regressando eu ao artigo: tão integrados se sentem os jovens que entretanto lá nasceram que, indagados sobre as preocupações relativas aos imigrantes, respondem "não temos problemas com turcos ou com árabes", não se identificando pois enquanto tais, como sublinha enfaticamente a autora do artigo que venho referindo.
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Eles são "os nossos portugueses" de uma pequena cidade alemã. A expressão entre aspas é uma citação.
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Sortudos, eles; um pouco baralhada, eu.
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