5.11.05

Se eu ao menos soubesse


Se eu ao menos soubesse
Sobre que é que pousou o teu último olhar.
Foi uma pedra, que já muitos últimos olhares
Tinha bebido, até que eles em cegueira
Caíram sobre a cega?

Ou foi terra,
Bastante para encher um sapato,
E já negra
De tanta despedida
E de preparar tanta morte?

Ou foi o teu último caminho,
Que te trouxe o adeus de todos os caminhos
Que tu tinhas andado?

Uma poça de água, um pedaço de metal luzente,
Talvez a fivela do cinto do teu inimigo,
Ou qualquer outro, pequeno adivinho
Do céu?

Ou mandou-te esta terra,
Que não deixa partir ninguém sem ser amado,
Um sinal de pássaro pelo ar,
Acordando lembranças na tua alma, e ela estremeceu
No seu corpo queimado de martírio?


Nelly Sachs, em Oração para o noivo morto, traduzida por Paulo Quintela (1967, Portugália).


Ou a magnificência do amor e o superiormente belo desconhecimento do ódio.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostava de ler um poema de amor aqui, do Rui Knofli(?) , ou do Eduardo Pitta.

Susana Bês disse...

a lida insana terá o maior prazer em tentar satisfazer esse desejo, logo que a oportunidade se apresente :)