8.11.05

Raiva e má-criação

Anyone can become angry - that is easy, but to be angry with the right person, to the right degree, at the right time, for the right purpose, and in the right way - that is not easy [ Aristotle, wikicitado]
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Um dos objectivos principais da educação é o de aprender isto.
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Digo "educação" não no sentido da "boa educação" que, com excessiva frequência, vejo ser um programa oco de maneirismos sociais, transmitido por pais desorientados e esmagados por responsabilidades moralistas a filhos em-treino ortopédico, ou invocado como trave em geometrias de desprezo pelo próximo.
Dessa "boa educação" só tenho a dizer que a considero um dos modos de cegueira mais perniciosos que conheço.
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Digo "educação", sim, no sentido de nutrir o desenvolvimento de um ser humano harmonioso individual e socialmente.
É, claro, uma responsabilidade de cada um tomar conta deste seu próprio assunto mas é também ancestralmente, para não dizer biologicamente, a principal responsabilidade da geração adulta relativamente à geração mais nova.
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Numa sociedade complexa essa responsabilidade requer também - para além dos grupos naturais e informais - a intervenção de modos institucionalizados de acção. No mundo que conhecemos isso é o objecto da política de educação.
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Se a nova geração sente raiva e isso tem expressão disseminada, isso não é bom. É , concerteza, um sinal de que há ajustamentos relevantes a fazer.
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Mas se a nova geração é mal-criada, neste sentido que aqui interessa, que é afinal o sentido próprio, e, além disso, sente raiva e isso tem expressão disseminada, então a coisa é séria, é má, é muito má...

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