23.11.05

Ratzinger, mais uma vez

Continua a agradar-me a actuação deste Papa.
Ao excluir a ordenação de gays *(devo presumir que os restantes são ... heterossexuais?!, mas adiante...) actua, mais uma vez, segundo os princípios que declarou.
Desta vez consegue um verdadeiro all-in-one. Afastando os gays, diminui o número de padres, o que em si só já seria positivo, segundo o meu ponto de vista; mas mais relevantemente ainda, esta exclusão da ordenação de gays aumenta o número de pessoas que, inconsoláveis com o conservadorismo social (ou teológico?) de tal medida, se apercebem que a Igreja (católica) já não satisfaz, o que, por sua vez, liberta estas pessoas para uma procura de outros modos, mais inspiradores e satisfatórios, de se pensarem a si e ao mundo.
E assim, Raztinger contribui indirectamente para o progresso e para a superação da irracionalidade pelo teor tão cruamente consequente das suas posições. O que acumula com o facto de também contribuir directamente para a prevalência da racionalidade pela simples circunstância de a praticar tão cristalinamente.
* link acrescentado depois de visita ao Pontos de vista

4 comentários:

CA disse...

Susana

Receio bem que o panorama não seja assim tão bom, mesmo para quem pretende a prevalência da racionalidade.

Por um lado haver mais pessoas a defender posições patetas acaba sempre por nos prejudicar a todos.

Por outro lado o documento sobre a ordenação dos homossexuais é uma enorme trapalhada intelectual: cita o catecismo a dizer que reprova apenas os actos homossexuais mas depois censura as tendências profundamente enraizadas. Contudo este termo não quer dizer nada de concreto. Mesmo do ponto de vista teológico o que será ter tendência para o pecado? Será que a líbido nos homossexuais é menos controlável do que nos heterossexuais? Não encontro nenhum quadro racional onde enquadrar a argumentação do documento.

lb disse...

Presumo que agora, ao entra no seminário, os aspirantes serão sujeitos não só a um inquérito com a testes sofisticados. Sujiro o visdionamento de gay-porn ligado o polígrafo às orgãos indicados neste caso.

(E pá, não me levas mal, vou fazer um post disto...)

Susana Bês disse...

Raztinger e os cardeais que os elegeram não serão quaisquer patetas, são os expoentes da organização de que fazem parte.

Se consideraram a homossexualidade um grave pecado contra a natureza, acho normalíssimo que não admitam a ordenação de homossexuais.

Mas reconheço que o que não é tão coerente é admitirem ainda a ordenação de heterossexuais (não desactivados). Postos em acto os impulsos sexuais destes, individualmente ou com parceira, consubstanciam também pecados.

Calculo que a tendência para o pecado dos ordenandos seja, em geral inspeccionada - excluindo-se não só os lascivos mas também os gulosos, os invejosos, os irascíveis, etc.

timshel disse...

acho inteiramente correcta a tomada de posição do Vaticano

escrevi um post sobre isto e um comentário no lutz e no pontos de vista e no cibertúlia

desculpa vir aqui apenas fazer um reenvio mas torna-se um pouco ridículo andar a repetir n vezes a mesma coisa numa data de sítios diferentes