27.11.05

O músculo do discernimento talvez se chame cultura

O que há de importante em ter lido ou não ter lido os Lusíadas - ou em ter tido contacto com as artes ou com as ciências moles ou com o que se costuma chamar " a cultura" - não é a consequente capacidade ou incapacidade de fazer bonitas piruetas pelos salões; não é uma questão de ter ou não ter adquirido "savoir faire" segundo as sinalefas das elites económico-sociais.
Por isso não creio que seja uma arrogância desclassificar alguém para funções de máxima responsabilidade e representação com base na deficiente exposição cultural dessa pessoa. E orgulho na minguada atenção às coisas da cultura pode, sim, ser um sinal de populismo.
Para lá disso, um orgulho orientado dessa maneira é um forte indício de que por tal pessoa não passa ou não passou a experiência de amadurecimento e refinação analítica e emocional que constitui o principal motivo por que a cultura faz falta. Um sinal a não ignorar de que essa pessoa não estará provavelmente em boa forma para enfrentar situações complexas. Disto se fala aqui.

2 comentários:

lb disse...

Excelente link, o philosophy talk!

Susana Bês disse...

do melhorio... :)