7.11.05

Não se pode, não, exterminá-los

Se tivesse de escolher o traço mais relevante do que está a acontecer em França, eu sublinharia o carácter espontâneo e disseminado do vandalismo.
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Isto é o que o torna muito difícil de controlar e, principalmente, isto é o que me parece dar um sinal claro de que alguma coisa, que talvez não possamos simplesmente apagar da realidade, tem andado a correr muito mal (aos erros nas políticas de imigração e de urbanismo, sumariados pelo Lutz, eu acrescentaria o fracasso da política da educação).
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Mas uma coisa de que eu tenho bem a certeza é de que os pais e as mães dessa rapaziada que anda a incendiar a França bem gostariam de ter mão neles.

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Rectifico: é claro que não tenho a certeza, não tenho certeza nenhuma, de que os pais e as mães dessa rapaziada que anda a incendiar a França bem gostariam de ter mão neles.

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Não tenho a certeza, nem deixo de ter. Conjecturo. Isso sim, conjecturo baseada na experiência da vida. Conjecturar o contrário só seria razoável se algum outro elemento me trouxesse uma indicação forte nesse sentido porque os dados da vida mostram que os pais se interessam em geral pelos filhos e que, por egoísmo ou altruísmo, os pais gostam é que os filhos andem por aí bem integrados, atinados, a fazer pela sua vida.

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Não deve ser carga fácil a frustração e a angústia de quem, depois de ter cortado as suas raízes, o que não pode deixar de ter tido o seu quê de doloroso, vê que a prole não passa da cepa torta e se põe em desacatos desta monta - embora eu acredite que esta tempestade terá sido antecedida de inúmeros aguaceiros e tudo isso acaba por servir de treino...
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É de coisas assim concretas que a vida é feita, é por causa de coisas assim que a política é feita.

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