27.11.05

Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho.

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas

[Maria Teresa Horta]

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